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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Até ex-CEO da Exxon abandonou grupo que nega mudanças climáticas

Fonte: Exame.com

O ex-CEO de uma das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo reconheceu que o dióxido de carbono adicional está aquecendo o planeta

Por Eric Roston, da Bloomberg 

Secretário de Estado de Donald Trump, Rex Tillerson, dia 11/01/2017
Tillerson: “É importante que os EUA mantenham seu lugar na mesa em relação à forma de combater a ameaça das mudanças climáticas" (Kevin Lamarque/Reuters)

Washington – O secretário de Estado nomeado dos EUA, Rex Tillerson, discorreu brevemente sobre sua posição a respeito das mudanças climáticas na audiência de confirmação no Senado, em Washington, na quarta-feira.

O ex-CEO de uma das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo reconheceu que o dióxido de carbono adicional está aquecendo o planeta, mas deixou no ar uma ambiguidade suficiente para manter as plataformas de petróleo operando.

Sua avaliação sobre o risco climático e a situação da confiança científica nas mudanças climáticas causadas pelo homem diferem das descrições mais autorizadas do problema, como os relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, ou IPCC, que afirmam:

“É extremamente provável que a influência humana tenha sido a causa dominante do aquecimento global observado desde meados do século 20. A evidência disso cresceu, graças a mais e melhores observações, uma compreensão melhorada da resposta do sistema climático e melhores modelos climáticos.”

Tillerson, 64, pareceu se distanciar um pouco da promessa do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, de anular o Acordo de Paris, fechado por 195 países para reduzir as emissões globais.

“É importante que os EUA mantenham seu lugar na mesa em relação à forma de combater a ameaça das mudanças climáticas, que exige uma resposta global”, disse Tillerson. “Nenhum país resolverá isso sozinho.”

Não é impossível que um governo republicano apoie uma declaração como essa mesmo depois de abandonar o Acordo de Paris.

O ex-CEO da ExxonMobil preferiu não comentar as posições passadas da gigante do petróleo sobre as mudanças climáticas — porque, disse aos senadores, não as conhece (apesar de ter trabalhado na empresa durante quatro décadas) e não desejava fazê-lo.

Não se sabe ao certo se a ExxonMobil enfrentará sanções legais ou dos investidores devido às investigações sobre o que a empresa sabia e quando.

Mas as declarações refletem a evolução da ExxonMobil sobre o tema desde sua primeira pesquisa, quando Tillerson estava começando na empresa, até o fim dos anos 1990, quando os interesses dos combustíveis fósseis organizaram uma campanha para confundir a massa.

Nos anos 1970 e 1980, memorandos internos da companhia ecoavam as conclusões da comunidade científica como um todo: de que o mundo está esquentando e que as emissões de CO2 são as prováveis culpadas, segundo investigações independentes realizadas em 2015 pelos veículos Inside Climate News e Los Angeles Times.

As nuances nas declarações de quarta-feira de Tillerson permitem que sua posição, sem detalhamento, signifique muitas coisas, por exemplo, seu comentário de que os modelos de computação que projetam possíveis caminhos para o clima têm valor limitado.

“O risco de mudança climática existe e as consequências podem ser sérias o suficiente para justificar a tomada de uma ação”, disse ele.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O mês de junho foi o mais quente desde 1880

Fonte: Blog do Planeta / Época

Por Alexandre Mansur

Variação de temperatura dos meses de junho desde 1880 a partir da média do século XX (Foto: NOAA)

Se você não tirou os casacos mais pesados do fundo do armário neste inverno, não está sozinho. Segundo a NOAA, agência americana para atmosfera e oceanos, este mês de junho foi o mais quente desde que começaram os registros no planeta.

As temperaturas da terra e da superfície dos oceanos estiveram 0,72 grau centígrado acima da média do século XX.

Parece pouco, mas no gráfico acima dá para ver como as temperaturas estão mais altas do que a média. As variações são medidas tendo como referência um grau Fahrenheit. Ele mostra as médias de junhos desde 1880. Todos os anos são comparados com a média do século XX. Os anos em azul ficaram mais frios que a média. Os anos vermelhos tiveram junhos mais quentes que a média.

Já havíamos dito que essa foi a Copa do Mundo mais quente de todos os tempos. São sinais do aquecimento global.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O declínio de uma paixão


Por Raul Juste Lores


Poderá o carro tornar-se o novo cigarro?


Foto: Barcroft Índia/Getty Images
(Foto: Barcroft Índia/Getty Images)

Nos EUA, o carro perde espaço não apenas como meio de locomoção mas também como objeto de desejo e expressão de um certo modo de vida. Demografia e economia, além da questão ambiental, fazem com que menos jovens tirem carteira de motorista e cidades invistam em sustentabilidade para atrair moradores.

Dois Rolls Royces estão expostos, ao lado de duas Maseratis, no saguão principal do Tysons Galleria. Os carros fazem parte de uma promoção do centro comercial, vizinho do Tysons Corner Center, que, ao ser inaugurado, em 1968, era o maior shopping do mundo.

Os dois centros de compras são o coração do distrito empresarial de Tysons Corner, a 18 km de Washington, cercados por sedes de consultorias como KPMG e Deloitte, do banco Morgan Stanley, do jornal "USA Today" e de companhias de tecnologia. Mais de 100 mil pessoas trabalham ali.

Tysons, porém, está em crise. Apesar dos shoppings e dos arranha-céus, poucos querem morar no distrito, que parece uma versão muito mais rica, embora igualmente desolada, da paulistana Marginal Pinheiros. Calçadas quase inexistentes, prédios separados por estacionamentos intermináveis, avenidas congestionadas e viadutos, muito viadutos. Atacadões e lojas enormes, caixotes fechados à rua, ladeiam as quatro autoestradas que levam ao distrito.

Como para atravessar a Marginal, o pedestre precisa escalar passarelas, passar por entre os carros ou cruzar os estacionamentos sem uma única árvore: é raríssimo encontrar alguém caminhando ali. Só o rio ficou faltando em Tysons: os dois riachos da área foram canalizados e cobertos por asfalto.

O trânsito é o pior da região metropolitana de Washington, que, por sua vez, desbancou Los Angeles como a de pior trânsito em todo o país. Diante desse quadro, empresas discutem a conveniência de manter sedes ali.

Se, na última década, a região metropolitana de Washington ganhou quase 1 milhão de novos moradores, chegando a 5,8 milhões, Tysons passou de 18 mil habitantes em 2000 para 19 mil no ano passado. Nos últimos dez anos, 20 mil empregos se mudaram de lá, especialmente para o centro de Washington, onde há cafés, restaurantes e calçadas largas --que atraem universitários, recém- formados e casais mais velhos cujos filhos já saíram de casa. Gente que vai ao trabalho de bicicleta ou a pé (algo comum a 15% da população da capital americana).

RETROFIT 


Tysons é vítima do declínio da cultura das quatro rodas no país que criou a linha de montagem, o mercado automobilístico de massas, as highways e que, em filmes e seriados, glamorizou a vida nos subúrbios. Os proprietários de prédios e terrenos dali preparam um bilionário retrofit para reduzir --quem diria-- o espaço para carros e tentar tornar a vizinhança amigável aos pedestres.

A reação do mercado --e Tysons é só um exemplo-- tem sido adotar a linguagem de urbanistas.

Jaime Lerner, arquiteto e ex-prefeito de Curitiba que priorizou o transporte coletivo na capital paranaense, chamou o carro de "cigarro do futuro" em seminários organizados pelo "New York Times" e pela Folha. "Você poderá continuar a usar, mas as pessoas se irritarão por isso", afirmou.

Depois de décadas em que o modelo curitibano, que privilegia corredores de ônibus, vem sendo copiado no exterior, é ainda lentamente que ganha adeptos no país, com a adoção de corredores e ciclovias e a discussão de limitar, no Plano Diretor de São Paulo, a oferta de vagas de garagem.

O escritor e empresário australiano Ross Dawson tem opinião parecida à de Lerner. "Um dia as pessoas vão olhar para trás e se perguntar como era aceitável poluir tanto, da mesma forma como hoje pensamos sobre o tempo em que cigarro era aceito em restaurantes, aviões e lugares fechados."

Em um país onde a carteira de motorista é um RG extraoficial, 20% dos jovens americanos entre 20 e 24 anos de idade não têm hoje habilitação --e o mesmo vale para 40% dos americanos de 18 anos. Em ambos os casos, o número de jovens que não dirigem dobrou entre 1983 e 2013, segundo estudo da Universidade de Michigan.

Desde 2001, o número de quilômetros dirigidos nos EUA vem caindo. Na última década, o número de americanos que vai diariamente ao trabalho de bicicleta aumentou 60%, chegando a 900 mil.

Em várias cidades americanas, mais de 10% das viagens de casa ao trabalho são feitas a pé ou de bicicleta, como em Boston (17%), Washington (15,2%), San Francisco (13,3%), Seattle (12,6%) e Nova York (11%) --na maior cidade americana, 60% das viagens são em transporte público.

Houve investimentos pesados para que isso acontecesse. A gestão do prefeito Michael Bloomberg em Nova York (2002-13) reduziu pistas para carros na Broadway e na Times Square e criou 450 km de ciclovias. Mesmo cidades menos densas, como Denver e Houston, criaram redes de bondes modernos (como os "tram" alemães e suíços, ou metrôs de superfície) na última década.

O uso do transporte coletivo nos EUA em 2013 foi o maior já registrado desde 1956, segundo a Associação Americana de Transporte Público, com 10,7 bilhões de viagens. Foram oito anos de crescimento consecutivo, a partir de 2005. O número de viagens em trens urbanos e bondes aumentou acima de 20% só no ano passado em cidades como Salt Lake City (Utah), Austin (Texas), Filadélfia (Pensilvânia) e New Orleans (Louisiana).

DEMOGRAFIA 


Diferentemente do que se possa pensar, o cuidado com o ambiente não é a principal motivação do refluxo automobilístico. "Há diversas razões econômicas e demográficas que precedem a preocupação ambiental na mudança da relação dos mais jovens americanos com o carro", diz Christine Barton, diretora do Boston Consulting Group, empresa de consultoria que coordenou um estudo sobre a crise da paixão americana pelo automóvel.

"Os jovens se casam muito mais tarde e têm menos filhos que nos anos 1950 ou 60. O subúrbio americano, idealizado para a vida sobre quatro rodas, dependia de famílias numerosas, nas quais o pai tinha um emprego para toda a vida", explica. "Hoje as pessoas mudam de emprego com mais frequência, e os jovens preferem áreas urbanas vibrantes, cercadas de opções de trabalho e entretenimento, com cafés e bares onde possam trabalhar com seu laptop, em vez de viver na lonjura suburbana."

O olimpo da economia americana também se deslocou, como atesta a decadência de Detroit, berço da indústria mundial do carro, que encolheu de 2 milhões de habitantes nos anos 1970 a 700 mil hoje e cuja prefeitura está oficialmente falida. A General Motors, por várias décadas a maior empresa americana, hoje ocupa o sétimo lugar no ranking da revista "Fortune". No novo topo, encontram-se empresas de tecnologia, como Google e Apple.

Mesmo na cultura pop, já há registros dessa inversão. A Nova York violenta de "Taxi Driver" e de seriados policiais foi substituída pela de personagens que adoram bater perna, de "Sex and the City" a "Friends". O subúrbio idealizado de antes, com quintais e carrões na garagem, virou cenário de famílias problemáticas, de "Desperate Housewives" a "A Sete Palmos".

Mesmo se a questão impacto ambiental não é a central, ela é uma variável na equação.

Aqueles que colocam o aspecto verde no cerne da opção antiautomóvel não se limitam à superfície do debate. Veículos elétricos, por exemplo, não convencem quem chama carro de cigarro do futuro.

"É importante entender que, ainda que sejam veículos com zero emissão de carbono, os carros elétricos poluem", diz o australiano Dawson. Ele recorda que, em um grande número de países, a geração de energia elétrica depende de combustíveis fósseis. "A poluição continua a acontecer em outra ponta, o que não ocorre com a bicicleta --e muito menos com o transporte coletivo."

Nos Estados Unidos, 60% das emissões de carbono devidas a meios de transporte vêm dos automóveis --isso significa 20% de toda a emissão gerada no país. Os carros emitem mais carbono que todas as residências e fazendas americanas juntas, segundo a Agência de Proteção Ambiental.

Em abril passado, pela primeira vez em 30 anos, o governo americano criou novas regras para reduzir a emissão de carbono pelos automotores --a adequação custará às montadoras US$ 1.000 por veículo, a partir de 2016.

GADGETS 


Para o jornalista Greg Lindsay, professor visitante do Centro de Política dos Transportes da Universidade de Nova York, "hoje os celulares tomaram o lugar dos carros como elementos de aventura". Na opinião de Lindsay, os gadgets são capazes de gerar entusiasmo muito maior do que o suscitado por "um novo modelo de carro qualquer".

O mercado não tardou em assimilar a tendência: apostar no declínio do carro, de símbolo de status a mero meio de locomoção, tornou-se um negócio lucrativo.

Na década passada, empresas de compartilhamento de veículos, como ZipCar e Car2Go, se popularizaram em grandes cidades americanas. Nesse tipo de serviço, paga-se pelo uso de um veículo por determinado período, ao fim do qual ele é estacionado em um lugar público, para que outro usuário possa tomá-lo. Esses carros compartilhados, que não servem para impressionar o vizinho, são modestos --mais semelhantes ao típico compacto europeu que aos espaçosos utilitários americanos.

De todos os negócios surgidos dessa nova fase, o mais promissor é o aplicativo Uber, avaliado em US$ 18 bilhões após o último aporte de capital de investidores neste mês, o que faz dele a empresa iniciante mais valiosa do mundo.

O aplicativo, que conecta usuários e motoristas cadastrados em seu sistema, foi lançado há quatro anos em San Francisco e, no ano passado, ampliou sua operação para 120 cidades em 38 países (no Brasil, por ora funciona apenas no Rio, segundo o site da start-up).

O carro é chamado pelo aplicativo, e o usuário pode controlar onde o automóvel está circulando e quanto tempo levará para chegar. O pagamento da corrida é debitado em um cartão de crédito também registrado no aplicativo, que permite organizar caronas e grupos.

Para Farhad Manjoo, especialista em tecnologia do "New York Times", o Uber pode "alterar a maneira como usamos o transporte tanto quanto a Amazon fez com nosso jeito de comprar". "Seu software é fácil de usar e uma montanha de dados permite localizar a demanda, de forma a reduzir a espera, o tempo de pagamento e, principalmente, a longa busca por estacionamento." Na opinião do colunista, o Uber pode "realizar o sonho" dos estudiosos que sonham em reduzir o índice de propriedade de automóveis".

Como o pacote mais acessível do Uber, o UberX, já é 30% mais barato que uma corrida de táxi convencional, o serviço tem se popularizado nas cidades americanas.

Taxistas em diversas cidades europeias fizeram protestos e greves contra o aplicativo, que veem, na prática, como concorrência desleal. Uma vez que o número de licenças para táxis costuma permanecer inalterado por anos em diversas cidades, o Uber se transformou na primeira concorrência de verdade ao táxi tradicional.

"Com menos carros, o custo de vida em áreas urbanas deve ser reduzido, assim como as emissões produzidas por milhões de carros procurando estacionamento. O espaço hoje ocupado por garagens e estacionamentos pode ser realocado para usos mais valorizados, como habitação", escreveu Manjoo.

Para David King, professor de planejamento urbano na Universidade Columbia, "em muitas cidades e até em subúrbios, vem se tornando mais fácil ter uma vida sem carro ou com uso light do automóvel", diz. "Em vez de um carro por pessoa, poderemos ter famílias inteiras com um só veículo, usando outros compartilhados."

POLARIZAÇÃO 


Mas, em tempos de polarização extrema da política americana, o debate sobre a posse do automóvel se tornou ele também um tema controverso.

"Ciclovias, cidades mais densas, com menos carro e mais calçada, espaço público e transporte coletivo estão em alta no nordeste e noroeste americanos e em quase todas as grandes cidades do país", diz Karen Seto, professora de geografia e urbanização da Universidade Yale. "São as cidades de sempre, de Seattle, Portland e San Francisco a Washington, Nova York, Boston e Chicago", diz.

"Mas no Texas, no sul, em boa parte do interior e nas cidades pequenas, o subúrbio, as casinhas iguais, a cidade espalhada sem transporte público, o shopping center e a vida centrada no carro continuam a imperar", ressalta.

Nas cidades texanas de Arlington e Mansfield, na região metropolitana de Dallas, políticos ligados ao movimento ultraconservador Tea Party fizeram protestos contra a construção de ciclovias, qualificando-as como "uma agenda verde imposta pela ONU" com a intenção de "mudar o estilo de vida tradicional americano".

Pesquisa divulgada no início do mês pelo instituto Pew comprova essa polarização sobre rodas. Instados a definir como seria "a comunidade ideal", conservadores responderam "cidade pequena" ou "área rural". Os democratas responderam "cidades".

"Subúrbios", apesar de na prática concentrarem mais habitantes que os centros das grandes cidades e que as zonas rurais juntos, não ficaram em primeiro lugar em nenhum dos dois grupos. Apenas 4% dos conservadores disseram que preferem morar em uma cidade; e somente 11% dos democratas em uma área rural.

O estudo do Pew, que ouviu 10.013 pessoas nos EUA, indica que "americanos que vivem em regiões de maioria republicana ou democrata estão vivendo em mundos diferentes em parte porque eles buscam tipos de comunidades muito diferentes, em termos geográficos e sociais", segundo os autores da pesquisa.

Os democratas ou que se definiram como "de esquerda" preferem uma comunidade "com casas menores, onde seja possível percorrer a pé os trajetos até lojas, restaurantes e escolas". Entre os que se disseram conservadores ou republicanos, a maioria preferiu "casas grandes" e escolas, restaurantes e lojas "mais distantes".

"Diversidade étnica e racial" são fatores importantes para determinar o lugar de habitação, na opinião de 75% dos democratas --só 20% dos conservadores concordaram com tal premissa. A proximidade de atividades culturais também pesa mais para os democratas: 65% deles dizem que estar próximo de museus e teatros é importante na escolha da moradia, contra 23% dos conservadores.

O estudo conclui que a realidade ampara o velho estereótipo segundo o qual conservadores preferem subúrbios, enquanto progressistas querem enclaves urbanos.

Na opinião da professora Karen Seto, de Yale, em termos numéricos, os EUA que dependem do carro ainda levam a dianteira.

"Para a cultura pop, Nova York e Portland podem ser muito mais atraentes, hoje em dia, do que qualquer subúrbio ou cidade pequena, mas viver sem carro ainda é uma aspiração distante para boa parte do país".

Segundo o US Census Bureau, o IBGE americano, oito entre dez americanos que trabalham ainda vão sozinhos de carro para o emprego. Em números absolutos, esse é o cotidiano de 107 milhões de americanos, enquanto só 13 milhões dividem o trajeto com outra(s) pessoas. Os que trabalham em casa são 6,1 milhões; outros 4 milhões vão ao trabalho a pé; 3,7 milhões, de ônibus; e 2,8 milhões só usam metrô. Por fim, 900 mil adotam a bicicleta.

NOVO CENTRO 


Se as estatísticas apontam para o fato de que a paixão pelo carro decresce justamente nas áreas mais ricas e culturalmente influentes do país, o mercado imobiliário deve abraçar ainda mais o retrofit ao estilo de Tysons --onde faixas e tapumes promovem, por todo lado, o slogan "Building a new downtown" [construindo um novo centro].

Em 2010, prevendo um êxodo maior de inquilinos e uma queda no valor dos imóveis, um grupo de proprietários dos terrenos e prédios de Tysons lançou um projeto de longo prazo para transformar o distrito em um lugar "com cara de bairro": que dependa menos de carro e favoreça mais o caminhar.

Os 40 novos prédios já aprovados --pelo menos 15 já em construção-- ocuparão terrenos que eram estacionamentos.

Entre a lista de tarefas dos empreiteiros investidores para transformar a área está reduzir os estacionamentos e cobrar por eles (a maioria ainda é gratuita), ampliar calçadas, criar áreas verdes e parques e abrir ciclovias.

Quase todas as medidas vão encolher o espaço para veículos no centro empresarial: há 170 mil vagas para carros, mais que todos os habitantes e funcionários da região juntos, e 3,72 milhões de metros quadrados de estacionamento (2,3 vezes o parque Ibirapuera) para 2,6 milhões de metros quadrados de escritórios.

O metrô de Washington está estendendo uma linha até lá, e quatro estações devem ser abertas em Tysons até o final do ano que vem. Linhas de ônibus que circulam pelo condado de Fairfax, onde fica Tysons, estão ampliando o funcionamento (antes quase inexistente) no horário noturno e finais de semana.

"Quando se pensa em Tysons, pensa-se em enormes congestionamentos. Mas queremos construir aqui a próxima grande cidade americana", diz Michael Caplin, diretor da Tysons Partnership, organização dos empresários locais. "Nosso sonho é ter uma Tysons onde não seja preciso andar de carro, onde se possa caminhar até o metrô, andar de ônibus, ter lojas, cultura, moradia, tudo junto".

O objetivo da Tysons Partnership é saltar dos 19 mil moradores atuais para 100 mil em 2050. Três quartos dos prédios em construção estarão a menos de 800 metros das novas estações de metrô. O valor inicial do aluguel de escritórios em Tysons é de US$ 300 por metro quadrado. No centro de Washington, de quase US$ 700.

No mês passado, a associação de empresários lançou uma feirinha de alimentos orgânicos ao ar livre e está atraindo mais "food trucks", vans de lanches rápidos. Um festival de música e uma corrida de bicicletas --o Tour de Tysons-- foram organizados.

Como a vontade de parecer sustentável não inibe excessos, um parque "instantâneo" foi criado. O asfalto foi pintado de verde, e árvores já crescidas foram transplantadas para lá, junto com gramado artificial e bancos com encosto --a poucos minutos a pé de onde os Rolls Royces e as Maseratis parecem símbolos de uma outra era.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Políticas climáticas podem aumentar PIB em trilhões

Fonte: EXAME.com 

Por Vanessa Barbosa


Para atingir prosperidade e acabar com a pobreza, é preciso crescimento, trabalho, competitividade e oportunidades. Mas em tempos de aquecimento global, o crescimento tem que ser baseado em baixa emissão de carbono e em sociedades mais resilientes. O desafio é tornar o discurso atraente para governos e empresas que ainda julgam políticas climáticas um empecilho ao crescimento. Não precisa ser assim. 

Novo estudo divulgado pelo Banco Mundial e pela ClimateWorks Foundation mostra que o investimento em eficiência energética, gestão de resíduos e melhoria do transporte público pode aumentar a produção econômica global entre US$1,8 trilhão e US$ 2,6 trilhões por ano. E também salvar vidas, reduzir a perda de cultivos e enfrentar a mudança climática. 

O relatório mostra os ganhos potenciais econômicos, para a saúde e outros ganhos decorrentes da ampliação de políticas climáticas inteligentes, bem como projetos já em andamento em países em desenvolvimento como o Brasil, Índia e México. 

Mas que ações podem assegurar o crescimento, aumentar o emprego e a competitividade, salvar vidas, e abrandar o ritmo das mudanças climáticas? O relatório descreve um caminho promissor e trilhável. 



BRASIL 

Se o Brasil enviar todos os resíduos sólidos a aterros sanitários e produzir eletricidade a partir do gás metano, poderá criar 44 mil novos empregos e aumentar o PIB nacional em mais de US$ 13,3 bilhões.





ÍNDIA 

Se a Índia construir mil quilômetros de novas linhas de trânsito rápido de ônibus poderá salvar 27 mil vidas em virtude da redução de acidentes e poluição do ar e criar 128 mil empregos. 






MÉXICO 

Se o México equipar 90% de suas criações de suínos e laticínios com sistemas de biogás e energia solar poderá reduzir o uso de energia no setor em 11%, criar 1.400 empregos e aumentar o PIB nacional em US$ 1,1 bilhão. 




CHINA 

Se a China distribuir 70 milhões de fogões limpos e adequados, poderá evitar cerca de mais de um milhão de mortes prematuras, colher quase US$ 11 bilhões em benefícios econômicos e criar 22 mil empregos. 




Ao mesmo tempo, em conjunto, as políticas podem evitar aproximadamente 94 mil mortes prematuras decorrentes de doenças relacionadas com a poluição em 2030, bem como prevenir emissões de gases de efeito estufa em praticamente o equivalente a tirar das ruas dois bilhões de carros. 

De quebra, se plenamente implementado, o conjunto de ações de políticas normativas, tributárias e projetos de mitigação climática poderia ajudar a limitar o aquecimento global a 2º centígrados.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Copa mais quente de todos os tempos

Fonte: Época - Blog Verde

O gráfico mostra a evolução de temperatura desde 1950 até 2009 no Brasil, em graus Farenheit (Foto: Reprodução)

Essa é a Copa mais quente de todos os tempos. Não está se falando dos protestos nem da tensão nas torcidas, mas dos termômetros mesmo.

O site Clima Central levantou dados do Instituto de Pesquisas pelo Clima e Pela Sociedade, nos Estados Unidos. Eles mostram como as temperaturas subiram em média 1,4 grau Farenheit desde 1950, quando o Brasil recebeu outra Copa do Mundo. É o equivalente a 0,7 grau Celsius.

O gráfico acima mostra a variação das médias de temperatura anuais entre 1950 e 2009.

Se o Brasil vier a hospedar uma nova Copa em 2050, o torneiro ocorrerá em um clima ainda mais quente. Segundo previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, as temperaturas médias no país podem subir mais de 5 graus Farenheit. O equivalente a um aumento de 2,7 graus Celsius. Seria como se todo mundo tivesse sido escalado para jogar em Manaus.

domingo, 1 de junho de 2014

Banco Mundial: esquemas de carbono já cobrem 12% das emissões globais


Levantamento indica que existem atualmente 39 mecanismos nacionais e 23 subnacionais de precificação de carbono, e que a tendência é a multiplicação dessas iniciativas



Indústrias de quase 40 países já são obrigadas a pagar pelo menos por parte das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) que liberam para a atmosfera, o que significa que cerca de seis gigatoneladas de dióxido de carbono (GtCO2e), ou 12% do total mundial, estão sob algum tipo de mecanismo de precificação de carbono, é o que revela o relatório “Estado e Tendências da Precificação do Carbono 2014”, divulgado na última quarta-feira (28/05), na Alemanha, durante a 11ª Carbon Expo, a maior feira mundial sobre mercados de carbono.

Produzido pelo Banco Mundial, o documento mostra que existem 39 esquemas nacionais e 23 subnacionais de precificação de carbono em funcionamento no mundo, que juntos estão avaliados em US$ 30 bilhões.

A entidade salienta que o número de esquemas está crescendo de forma acelerada, sendo que, apenas em 2013, mais oito foram lançados. A taxação de carbono também estaria ficando mais comum, com o México e a França adotando essa estratégia nos últimos meses.

“Está claro que as políticas de precificação do carbono estão aqui para ficar – a multiplicação no uso dessas políticas por todo o mundo é fenomenal. A diversidade dos esquemas ajudará a contribuir para que autoridades conheçam mais rapidamente o que funciona e o que não funciona, o que facilitará o combate às mudanças climáticas”, afirmou Alyssa Gilbert, chefe de mecanismos de mercado da consultoria Ecofys e uma das autoras do levantamento.

O relatório destaca a mudança de postura na China e nos Estados Unidos, que estariam finalmente adotando a precificação de carbono.

Os chineses já possuem sete mercados de carbono locais: Tianjin, Pequim, Xangai, Shenzhen, Guangdong, Hubei e Chongqing. Somados, esses esquemas cobrem o equivalente a 1,1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente, constituindo o segundo maior mercado mundial, ficando atrás apenas do Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS).

Nos Estados Unidos, o destaque é o mercado californiano, que entrou em operação em janeiro de 2013. No seu sétimo leilão, realizado na última semana, o esquema já movimentou quase US$ 240 milhões. 

“Apesar de o progresso nacional na China e nos EUA ainda poder levar algum tempo, é significativo que os dois maiores emissores mundiais agora tenham instrumentos de precificação de carbono”, disse Alexandre Kossoy, especialista financeiro do Banco Mundial e um dos autores do relatório.

Por sua vez, o Brasil aparece no relatório sem ter muito o que mostrar. “Nenhum progresso notável foi alcançado no último ano”, salienta o documento.

Porém, o Banco Mundial destaca a iniciativa do Sistema de Comércio de Emissões da Plataforma Empresas Pelo Clima, uma plataforma para simulação de um mercado de carbono criada pelo GVces em parceria com a BVRio.

Pela plataforma, 194 empresas, que emitem um total de 22 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, poderão negociar créditos de carbono de forma simulada. O primeiro leilão aconteceu em março e vendeu créditos a R$ 25.

Carbon Expo


O “Estado e Tendências da Precificação do Carbono 2014” foi um dos destaques da abertura da Carbon Expo, que começou na última quarta-feira (28/05), em Colônia, na Alemanha. O evento reúne representantes do setor privado e autoridades públicas para discutir os melhores caminhos para a adoção de mecanismos de mercado que tenham como objetivo reduzir as emissões de GEEs.

Nesse primeiro momento, o assunto mais mencionado foi a necessidade de um preço global para o carbono. 

Segundo líderes industriais, as disparidades entre as iniciativas de precificação do carbono de um país para outro afetam a competitividade das nações, e isso é um dos principais obstáculos para a criação de novos mercados.

Por exemplo, foi salientado que a taxa de carbono no México é o equivalente a US$ 1 a tonelada, enquanto na Suécia é de US$ 168 a tonelada. Para piorar, muitos países nem possuem taxas ou mercados de carbono, o que faz com que suas indústrias tenham vantagem no comércio internacional. 

“Será essencial para que façamos a transição para uma economia de baixo carbono que as empresas ao redor do mundo estejam sob regras equilibradas. O melhor instrumento que podemos criar para evitar a crise climática é um mercado global de comércio de emissões”, afirmou Holger Losch, diretor da Associação Industrial da Alemanha (BDI).

Um mercado global também foi defendido por Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

“O movimento em direção a uma economia de baixo carbono está aumentando. Para acelerá-lo, devemos ter um preço estável e significativo para as emissões. Quando custa mais para emitir, as opções limpas são privilegiadas. Ferramentas de mercado são essenciais nesse sentido. Até 2020, o custo das emissões simplesmente deve fazer parte das contas empresariais em todo o mundo”, concluiu Figueres.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Jaca pode ser fruta da salvação na crise climática


Wikimedia Commons

Apesar de comum no Brasil, a jaca não é um fruto que se vê com frequência nos carrinhos de compra dos brasileiros. Mas, em um mundo em aquecimento, isso pode mudar. Pesquisadores indianos apontam a fruta como um "milagre" das culturas alimentares. 

A fruta poderia ser um substituto para alimentos básicos que estão na mira das mudanças climáticas, como o trigo e o milho. "É um milagre que pode fornecer tanto nutrientes como calorias, tudo", disse Shyamala Reddy, pesquisadora de biotecnologia da Universidade de Agricultura e Ciências, em Bangalore, na Índia, ao jornal britânico The Guardian. "Se você comer apenas 10 ou 12 gomos desta fruta, você não precisa de alimento para outra metade do dia", completou. 

O Banco Mundial e as Nações Unidas advertiram, recentemente, que o aumento da temperatura e das chuvas carregadas podem levar a uma queda de 2% na produtividade agrícola até o final do século, ao passo que a demanda deverá aumentar 14% até 2050. 

A conta salgada pode mergulhar bilhões de pessoas na fome - um mal que atinge um em cada sete habitantes do planeta. É aí que a jaca se destaca. Ela é resistente a pragas e mudanças no clima, é fácil de plantar e ainda oferece quantidade elevada de nutrientes, rica em cálcio, potássio e ferro. 

Mas, apesar do seu enorme potencial, ainda é uma cultura subexplorada, especialmente na Índia, onde ela se originou. Isso está começando a mudar, a medida que os pesquisadores voltam suas atenções à ela. 

No próximo mês de maio, a Universidade indiana vai sediar uma conferência internacional sobre jaca, para discutir seus potenciais de uso no presente e no futuro.

domingo, 9 de março de 2014

"É necessário repensar a urbanização no século 21", afirma diretor executivo do ONU-Habitat

Fonte: Portal EcoD 

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Imagem: Reprodução/ONU-Habitat

Um futuro sustentável depende da forma como os países planejarem, construírem e gerirem suas cidades nos dias de hoje, somada a uma boa administração do espaço urbano. A afirmação foi feita por um grupo de especialistas reunidos na sede da ONU em Nova York, em evento de lançamento da iniciativa A cidade que precisamos.

O diretor executivo do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos, afirmou que “precisamos de uma cidade mais inclusiva socialmente, uma cidade mais eficiente, melhor organizada e resiliente, onde a dignidade de cada cidadão é respeitada”.

Clos ressaltou também que a participação de todos no debate sobre o espaço urbano é essencial uma vez que “se continuarmos a construir cidades de forma antiquada, estaremos plantando sementes para crises contínuas – de mudanças climáticas, desenvolvimento retardado, falta de integração e dignidade”.

A iniciativa “A cidade que precisamos” – uma parceira conjunta da sociedade civil e a ONU - faz parte das atividades preparatórias do  sétimo Fórum Urbano Mundial, que será realizado em abril, em Medellín, na Colômbia.

(Via ONU Brasil)

sábado, 1 de março de 2014

Fundo Clima financia projetos nas áreas de energia e ecossistemas


Podem participar universidades, institutos e fundações públicas, entes federados e organizações sem fins lucrativos.



Fundo Clima financia projetos nas áreas de energia e ecossistemasO Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC) lançou dois editais de chamada pública para desenvolvimento de projetos. O prazo para envio dos projetos é até 14 de março. Podem participar universidades, institutos e fundações públicas, entes federados (estados, Distrito Federal e municípios) e organizações sem fins lucrativos da sociedade civil brasileira.

O edital MMA/FNMC nº1/2014 é voltado para o incentivo à eficiência energética, desenvolvimento e aplicação de fontes de energia que produzam menos gases de efeito estufa na atmosfera. Serão selecionados projetos e estudos que desenvolvam o aproveitamento do biogás (produzido em aterros sanitários e dejetos da pecuária) e da energia solar como fontes alternativas de energia. Este edital enquadra-se na área de concentração nº 1 do Fundo Clima: desenvolvimento e difusão tecnológica.

Já o edital MMA/FNMC nº2/2014 é direcionado à recuperação, restauração e proteção de nascentes e ambientes naturais. Contemplará projetos que trabalhem a conservação e restauração de áreas naturais para a manutenção e o restabelecimentos de serviços ecossistêmicos. Este edital refere-se à área 4 do Fundo Clima: adaptação da sociedade e ecossistemas.

Os recursos do Fundo Clima serão aplicados em apoio financeiro reembolsável e não-reembolsável e em linhas de atuação previamente definidas por um Comitê Gestor que reúne instituições governamentais e não governamentais.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Modelos baseados no cotidiano ajudam a entender mudança do clima


Por José Eduardo Mendonça 

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Foto: jah~/Creative Commons

Mais de 90% dos cientistas do clima no mundo concordam que ele está mudando em grande parte devido a emissões de CO2 causadas por atividades humanas. Há indicações de que as avaliações feitas pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, são mais conservadoras que alarmistas, apesar de suas previsões perturbadoras em relação ao aquecimento global e suas consequências. Ainda assim, estes indicadores científicos de maior risco são acompanhados por um aparente declínio da percepção pública da situação.

E por que isto está acontecendo? Há muitas causas, e uma delas é a própria complexidade da ciência do clima, com teorias abstratas de difícil compreensão para o grande público.

É complicado entender o conceito da mudança do clima e seu impacto sobre o ambiente. Mas o estabelecimento de um território comum e o uso de modelos podem derrubar barreiras e apresentar a questão de maneira mais inteligível.

Em uma apresentação feita no encontro da Sociedade Americana Para o Avanço da Ciência, que terminou ontem, 17/02, a ecologista e modeladora da Universidade Estadual do Michigan, Laura Schmitt-Olabisi, mostrou como modelos dinâmicos de sistemas comunicam os desafios e as implicações das alterações climáticas, de forma eficaz.

“Temos necessidades de ferramentas que possam incentivar o diálogo através das fronteiras tradicionais, alcançando, além dos cientistas, os tomadores de decisão e o público em geral”, disse Schmitt-Olabisi. “Usando mapas, diagramas e modelos, todos os grupos envolvidos podem compartilhar informações para termos discussões que criem soluções possíveis”, afirmou.

Para entender os modelos de saúde urbana, ela e seus colegas entrevistaram planejadores, funcionários da saúde pública e gerenciadores de emergências. As entrevistas foram traduzidas em um modelo de computador junto com dados de secas atuais e passadas no Meio Oeste americano.

Schmitt-Olabisi descobriu que esta abordagem é uma ferramenta poderosa para iluminar áreas com problemas e identificar os melhores modos de ajudar populações vulneráveis, informa o site da universidade.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Relatório: Empresas não estão preparadas para crise de recursos naturais


Por Fabiano Ávila

Consultoria britânica Carbon Trust destaca que o mundo corporativo já entende que a água e outros bens naturais estão ficando cada vez mais escassos, mas salienta que ainda são poucas as que estão transformando seus modelos de negócios


Já há muito tempo é sabido que os recursos do planeta são finitos e que o desafio de se adequar a uma nova realidade de queda na oferta de matéria-prima e de possíveis interrupções na cadeia de suprimentos ficará cada vez maior.

Porém, essa conscientização, que já teria alcançado um nível alto entre as empresas, ainda não se traduziu em ações, e poucos são os líderes empresariais que estão enxergando a escassez de recursos como uma oportunidade e não uma crise.

Essa é uma das conclusões do relatório “Opportunities in a resource constrained world: How business is rising to the challenge” (algo como Oportunidades em um mundo de recursos escassos: Como os negócios estão enfrentando o desafio), divulgado na semana passada pela consultoria britânica Carbon Trust.

De acordo com o documento, existirá, por exemplo, uma lacuna de 40% entre as reservas de água disponíveis e a necessidade de consumo em 2030. Outros recursos, como certos minérios utilizados em produtos de alta tecnologia, ficarão escassos ainda antes, já em 2016.

“Para proteger nossa economia, nosso meio ambiente e os recursos disponíveis para as futuras gerações, precisamos que as empresas de hoje reconheçam a seriedade dessa ameaça e adaptem seus modelos de negócios”, afirmou Tom Delay, presidente da Carbon Trust.

A consultoria entrevistou 475 companhias de cinco países e constatou que 69% delas possuem algum tipo de programa de sustentabilidade. No entanto, 40% das pesquisadas classificaram seus esforços como “reativos”, ou seja, esperam o problema surgir e depois atuam para resolvê-lo. Para piorar, apenas 5% das empresas estão confiantes na qualidade de seus programas e se consideraram líderes em sustentabilidade.

“Nosso relatório mostra que as empresas que proativamente estão colocando a sustentabilidade em suas operações têm o potencial de valorizar seus negócios e reduzir a vulnerabilidade à escassez dos recursos”, explicou Delay.


Oportunidades


Apesar de criticar a lentidão do mundo corporativo em transformar seus modelos de negócio, a maior parte do relatório é dedicada às boas práticas já existentes e que podem servir de exemplo para quem quiser explorar as oportunidades de uma economia mais sustentável.

Uma das corporações citadas é a BT, uma das maiores empresas de comunicação do planeta, presente em 170 países. Através de programas de sustentabilidade, a BT conseguiu, desde 2011, reduzir as emissões de gases do efeito estufa de suas operações em 44% e de sua cadeia de fornecedores em 15%, e diminuiu em 40% a sua produção de resíduos. Ao mesmo tempo, registrou uma queda de 14% em seus custos operacionais.

Outro destaque é a Whitebread, maior cadeia de hotéis e restaurantes do Reino Unido, que emprega 43 mil pessoas e atende mais de 22 milhões de clientes por mês em 2.500 estabelecimentos.

Segundo a Carbon trust, a iniciativa “Good Together” (algo como Bons Juntos) da Whitebread promoveu a redução de 23% nas emissões, 22% no consumo de água e aumentou em 93% a reciclagem de resíduos. Mesmo com os investimentos necessários para realizar essas ações, os lucros da empresa em 2013 aumentaram 14%.

“Ao se diferenciarem da prática comum no mercado, as empresas mais sustentáveis conseguem aumentar sua competitividade e fortalecer sua marca”, afirma o relatório.

A Carbon Trust acredita que, ao buscarem ser mais eficientes, as companhias estão se posicionando de forma vantajosa em um planeta em que os recursos estão ficando escassos. Assim, podem tirar proveito das oportunidades que outras empresas não enxergam ou não têm condições de atender.

“A grande mensagem do relatório é que é benéfico de várias maneiras para as empresas se tornarem mais resilientes aos problemas ambientais e climáticos. Melhorar a eficiência no uso de recursos é bom para a reputação e se reflete de forma quase automática em ganhos reais”, concluiu Delay.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Contenção do aquecimento global inclui redução de US$ 30 bi em investimentos em combustíveis fósseis

Fonte: EcoD

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Emissões precisão diminuir pelo menos 70% no período de 2010 e 2050.  Foto: petri_pomell


Embora muita gente ainda duvide da existência do aquecimento global, o fenômeno já registra um aumento de temperatura de 0,8º Celsius em relação a média, segundo estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), o que tem causado o degelo no Ártico, inundações, secas e migrações forçadas em todo o mundo, só para citar alguns exemplos.

O mais recente relatório da ONU, que vazou para a imprensa na quarta-feira, 15 de janeiro, aponta que as emissões dos gases de efeito estufa (que aceleram o aquecimento global) precisarão diminuir pelo menos 70% no período de 2010 e 2050 para que a média do aumento de temperatura seja inferior a 2ºC. Do contrário, segundo os cientistas, os riscos de um colapso em nível mundial serão inevitáveis.

Para alcançar a meta de redução de emissão de gases nocivos estabelecida pela ONU, os governos precisarão extrair grandes quantidades dessas substâncias do ar, além de investir trilhões em energia limpa. 

O relatório da ONU sugere que técnicas de remoção de dióxido de carbono passem a ser empregadas na atmosfera. No entanto, essas tecnologias ainda estão em um nível de desenvolvimento considerado experimental. Entre os maiores projetos estão a reforma da usina Boundary Dam, no Canadá, que será capaz de capturar um milhão de toneladas de gases nocivos por ano, informou a Reuters.

Mas também seria necessário investir US$ 147 bilhões em energia limpa (solar, eólica e nuclear, por exemplo), além de reduzir o investimento em combustíveis fósseis em US$ 30 bilhões de dólares por ano.
A previsão da comunidade internacional é a de que os países só venham a acertar um acordo de redução das emissões de gases-estufa em 2015, durante a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-21), que será realizada em Paris, na França.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Conservação e 'economia verde' são legados de Mendes

Fonte: BBC

Por Fábio Pontes

Fazenda Capatará. Foto: Fábio Pontes/ BBC Brasil
Acre deixou de liderar o desmatamento da Amazônia, mas grande parte da mata virou pasto


Vinte e cinco anos após a morte de Chico Mendes, seus herdeiros no Acre destacam a preservação da mata nativa como um avanço positivo no Estado, que aposta em políticas "verdes" para manter vivo o legado do líder seringueiro.

Mas a preservação ocorreu de forma desigual no Acre.  A região da cidade de Xapuri, onde Chico Mendes lutou contra a entrada do agronegócio, é atualmente a que mostra o maior impacto do avanço na criação de gado e plantio de grãos no Estado.  

A Reserva Extrativista Chico Mendes, com seus quase um milhão de hectares, é uma das última áreas de floresta mantida em pé na região.

De Rio Branco a Assis Brasil, na fronteira com Peru e Bolívia, quem trafega pela BR-317 se depara com fazendas a perder de vista.  Desde metade dos anos 2000, a cana-de-açúcar passou a se fazer presente na região do Alto Acre, no sul do Estado, composta por cinco municípios.  É nela onde se concentram 70% da floresta desmatada do Estado.

Indo para o outro lado do Acre, na parte mais ocidental da Amazônia brasileira, o impacto do agronegócio é bem menor.

O isolamento de quase 40 anos da região por conta da estrada sem pavimentação é apontado como uma das razões para a baixa ação humana.  É nela onde se concentram 88% da cobertura florestal acriana. 


Educação


Para Ângela Mendes, filha de Chico Mendes, a luta do líder seringueiro contra a destruição da floresta é um dos principais motivos para o Estado ainda contar com uma ampla floresta intacta.

"Graças ao empenho de meu pai de chamar a atenção do mundo para o que acontecia na Amazônia, o Acre tem 46% de seu território protegido por unidades de conservação", comenta ela.  "Saltamos dos maiores desmatadores do Brasil para sermos, 25 anos depois, o menor", compara.

Entre florestas públicas, parques, reservas e terras indígenas, o Estado possui 16 milhões de hectares como áreas naturais protegidas.

Para evitar mais desmatamento e o avanço do agronegócio, o Acre iniciou, em 1999, no governo de Jorge Viana (PT), uma política econômica que tinha como foco a exploração sustentável das riquezas naturais, visando colocar em prática as ideias defendidas por Chico Mendes.

Ângela Mendes acredita que os avanços na educação dos povos da floresta são um dos resultados positivos da política. 

"Somente na reserva Chico Mendes temos 52 escolas, algumas até com o ensino médio.  Em 25 anos foram mais de 18 mil pessoas alfabetizadas.  Se levarmos em consideração que até 1980 a grande maioria dos seringueiros e seus filhos era analfabeta, nós tivemos um grande avanço", diz.

Mas o economista da Universidade Federal do Acre (Ufac) Carlos Estevão observa que a alfabetização dos seringueiros produz o efeito de saída de seus filhos de dentro da floresta.

"Como eles passaram a estudar mais, se qualificar, muitos não querem viver no seringal e vão para as cidades.  É possível em algumas décadas a floresta estar despovoada", analisa Estevão.  


Recuperando o extrativismo


Do ponto de vista econômico, nos últimos 15 anos, desde a chegada do PT ao governo do Acre, o Estado tentou ressuscitar a economia extrativista. 

Uma das ações adotadas nesse sentido foi o manejo madeireiro com a concessão de grandes áreas de floresta para a exploração de madeira por empresas privadas, além de outros planos de manejo comunitário, feito pelos próprios moradores.

Com a borracha e a castanha-do-pará tendo pouca rentabilidade, o principal produto explorado passou a ser a madeira.

Números de 2012 do IBGE apontam que o Acre produziu 647 mil metros cúbicos de toras, com rendimento de R$ 47 milhões.  A borracha, por outro lado, teve produção de 327 toneladas, somando R$ 1,2 milhão.  A madeira é o segundo produto de exportação do Estado, atrás somente da carne de gado.

No entanto, analistas questionam se a estratégia adotada pelo governo acriano de fato tem trazido benefícios para a maior parte dos moradores da floresta.

"Um reduzidíssimo grupo de lideranças sindicais foi 'assimilada' pelo bloco de poder e obteve, sim, melhorias nas suas condições de vida via remunerações pela prestação de serviços", diz o sociólogo Elder Andrade de Paula, que esteve ao lado de Chico Mendes em seu movimento de resistência.

"Todavia, para a grande maioria que necessita viver de seu próprio trabalho nos campos e florestas, as carências fundamentais permanecem." 


'Economia verde'


Amigo de Chico Mendes e governador do Acre entre 1999 e 2006, o hoje senador Jorge Viana (PT) reconhece que problemas ainda existem, mas "não se pode negar que mudanças significativas ocorreram na vida dos povos da floresta". 

Viana considera que o conceito de floresta como ativo econômico foi concebido a partir da bandeira do líder seringueiro em defesa do extrativismo.

Para ele, o diferencial da militância de Chico não ocorreu só na defesa do "terra, pão e trabalho", mas pela necessidade de um desenvolvimento econômico diferenciado para a Amazônia.

"Até 1999, 100% da madeira explorada no Acre era de origem ilegal.  Agora 90% dela está certificada.  Estamos dando valor à nossa riqueza natural, precisamos deixar de olhar a floresta como empecilho e vê-la com propulsor do desenvolvimento", diz o senador.

Outro sinal de avanço da "economia verde" na terra do líder seringueiro é a venda de créditos de carbono, em troca da preservação da mata.  Até o fim de 2012, o Acre já tinha assegurado R$ 107 milhões.

Para Elder Andrade, contudo, estas políticas não resultaram na garantia de renda para quem está dentro das reservas, e a maioria dos moradores da floresta são cadastrados nos programas assistenciais do governo, incluindo o Bolsa Família.

"Jorge Viana ofereceu migalhas com a mão esquerda e com a direita impulsionou a espoliação em larga escala no Acre", afirma. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

Cientistas criam bactéria que come o CO2 do ar


Micro-organismo criado em laboratório pode frear o aquecimento global - ou mergulhar a humanidade numa era glacial


Por Salvador Nogueira

Fulvio314 / Creative Commons 3.0
  
Ironicamente, a solução para o aquecimento global pode estar numa criatura que adora calor: a bactéria Pyrococcus furiosus, que vive dentro de vulcões submarinos onde a temperatura chega a 100 graus. Numa experiência feita pela Universidade da Geórgia, nos EUA, esse micróbio recebeu cinco genes de outra bactéria subaquática, a Metallosphaera sedula. E dessa mistura saiu uma criatura capaz de algo muito útil: alimentar-se de CO2.

Exatamente como as plantas (que absorvem luz e CO2), mas com uma vantagem: a bactéria é mais eficiente, ou seja, se multiplica mais rápido e absorve mais CO2 do ar. "Agora podemos retirar o gás diretamente da atmosfera, sem ter de esperar as plantas crescerem", diz o bioquímico Michael Adams, autor do estudo. Seria possível criar usinas de absorção de CO2, que cultivariam o micróbio em grande escala, para frear o aquecimento global. Depois de comer o gás, ele excreta ácido 3-hidroxipropiônico - que serve para fazer acrílico e é um dos compostos mais usados na indústria química.

Se a bactéria transgênica escapar e se reproduzir de forma descontrolada, poderia consumir CO2 em excesso e esfriar demais a atmosfera. Existe um mecanismo de segurança natural contra isso: ela só consegue comer o gás se a temperatura for de 70 graus (que seria mantida artificialmente nas usinas). Mas sempre existe a possibilidade de que a bactéria sofra uma mutação, supere esse bloqueio - e mergulhe a Terra numa nova era glacial. Talvez seja melhor deixar as plantas cuidando do CO2.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Construção sustentável fácil e sem custos extras


Por Saulo Segurado, do Construção Sustentável

Construção sustentável = mais dinheiro, saúde e produtividade


Como é brilhantemente explicado no relatório do Clube de Roma "Money and Sustainability: The Missing Link" (Bernard Lietaer, et al, 2012), nosso sistema monetário atual é naturalmente instável e destrutivo. O relatório apresenta números assustadores: somente entre 1970 e 2010, houveram 145 crises bancárias, 208 crises monetárias e 72 crises de dívidas soberanas, o que resulta em uma média de mais de 10 crises por ano (apenas na Europa).

A conclusão que se pode chegar é simples: não podemos mais ignorar práticas que promovem a Sustentabilidade, como, por exemplo, a construção sustentável.

A indústria da construção é uma das grandes responsáveis pelos elementos que tornam nosso sistema monetário instável, são eles:

  • Os intermináveis empréstimos bancários.
  • Os saques indevidos nos fluxos de caixa visando ROIs de curtíssimo prazo.
  • Os juros compostos que impõem um crescimento obrigatório em um mundo finito. 
  • As taxas de juros convencionais que concentram a riqueza no topo e empobrece a maioria, o que aumente a instabilidade social.
  • A destruição do capital social, sobretudo nos países industrializados.

Os empreendedores da construção precisam entender imediatamente o altíssimo potencial de crescimento de seus lucros resultantes do uso de práticas da construção sustentável, que aumentam consideravelmente a saúde e produtividade dos usuários da edificação, além de contribuir de forma singular para sua reputação no mercado. Somente neste post você vai entender como explorar esta tendência mundial de forma simples para obter os melhores resultados de seus esforços de Sustentabilidade em qualquer projeto.


Como ganhar dinheiro com a construção sustentável? 


http://www.construcaosustentavel.net/2013/12/construcao-sustentavel-mais-dinheiro-saude-e-produtividade.html


Não se trata mais de exibir porcentagens de reciclagens, os consumidores querem uma responsabilidade ambiental muito maior dos fornecedores de seus produtos. E isso se aplica completamente à construção. Ecologicamente correto já não é mais apenas reduzir as emissões de carbono durante a fabricação, isso não atrai mais ninguém. Tratar a Sustentabilidade apenas como uma estratégia de marketing atualmente é inaceitável.

Hoje não adianta um produto ser ecologicamente correto se ele não for prático e bonito ao mesmo tempo. As pessoas querem mais, querem produtos no estado da arte. A construção sustentável é o estado da arte da construção, é onde separamos os homens dos meninos na nossa indústria. 

Atualmente se você disser que tem uma janela de vidro reciclado que as pessoas precisam usar, quase ninguém vai comprá-la. Mas se você disser que tem uma janela energeticamente eficiente (que reduz a conta de eletricidade), linda e fácil de instalar, prepare-se para uma avalanche de pedidos.

É desta forma que enxergamos a construção sustentável no Grupo Ataque Sustentável: ou realizamos projetos de Sustentabilidade fáceis, sem custos extras (até mais baratos, se possível) e com um design tão bom quanto o de qualquer empreendimento convencional, ou nada feito! Como já explicamos em outros posts, isso não é nada fácil, mas é possível se a equipe de projeto estiver disposta a trabalhar mais e fazer corretamente as difíceis decisões onde há um conflito de escolhas.

Para ganhar dinheiro com a construção sustentável o empreendedor precisa fazer mais do que bombardear seus consumidores com mensagens ambientais. É preciso escancarar os benefícios que fazem a diferença para eles. Ninguém se importa com uma porcentagem de redução na emissão de gás carbônico, não perca tempo com isso. Diga para eles exatamente o que eles querem ouvir: quanto vão economizar? quanto trabalho terão? como é o design?

O marketing faz parte da construção sustentável, claro, mas ela é muito mais do que isso. Construir com Sustentabilidade é desafiar o modelo de negócios de uma indústria inteira. Uma indústria grosseira e extremamente lenta na adoção de novas práticas. Ela não tem culpa, afinal sua logística é um fator crítico e requer esforços humanos para viabilizar qualquer mudança. A culpa é nossa por aceitarmos esta lentidão de braços cruzados, considerando que poderíamos estar ganhando muito mais dinheiro, vivendo com muito mais saúde e trabalhando com muito mais produtividade!


Retorno sobre o investimento da construção sustentável 


http://www.construcaosustentavel.net/2013/12/construcao-sustentavel-mais-dinheiro-saude-e-produtividade.html

1. Retorno Econômico

  • Redução de custos: edificações sustentáveis economizam dinheiro desde o primeiro dia de construção. Estas economias são provenientes da redução do consumo de água e energia, no curto prazo, e dos custos com operações e manutenções, no longo prazo.
  • Aumento patrimonial: como investidores e usuários estão cada vez mais familiarizados e preocupados com os impactos ambientais e sociais dos ambientes construídos, edificações com melhores credenciais sustentáveis possuem um maior “valor de marca”, comercialização, etc.
  • Redução nas demandas de consumo: além da economia financeira direta para o empreendedor ou usuário, a redução nas demandas de consumo afeta indiretamente a indústria da construção com um todo. Como edificações sustentáveis fazem mais por menos, os custos com serviços públicos, por exemplo, são consideravelmente reduzidos.
  • Benefícios fiscais: diversos países oferecem incentivos fiscais para a construção sustentável. Por exemplo, para as concessionárias, é importante economizar energia com edificações menores para vendê-la para as indústrias, que pagam mais por quilowatt. Alguns bancos também fornecem financiamentos com taxas menores para a construção de edificações sustentáveis.
  • Aumento das vendas: uma pesquisa feita da Califórnia (EUA) com 100 lojas constatou que as vendas são 40% maiores em lojas que utilizam elementos de iluminação natural, ou seja, além da economia com o consumo reduzido de energia, é possível faturar mais usando práticas sustentáveis. Fantástico, não é?


2. Retorno Social

  • Mais saúde e produtividade: diversas evidências comprovam que a Sustentabilidade aplicada nas características físicas da edificação e dos ambientes internos gera melhorias significativas na produtividade, saúde e bem estar dos usuários, trazendo benefícios valiosos sobretudo para os negócios.
  • Maior qualidade de vida: é muito difícil precificar isso. Por exemplo, quanto você pagaria para desfrutar um dia menos estressante ou para evitar pegar uma gripe? Quando todos os retornos econômicos citados são somados a isso, o estilo de vida sustentável faz sentido para qualquer comunidade no Planeta. 
  • Marketing verde: é um conceito totalmente distorcido pelo público geral. A construção sustentável não é só marketing, mas ela também é marketing. Qual é o problema disso? É como uma empresa que faz ações de caridade em troca de "marketing gratuito", no final todos saem ganhando. Muita gente constrói edificações sustentáveis apenas pelo marketing? Sim, mas, ao mesmo tempo que eles estão obtendo retornos econômicos e sociais (junto à comunidade local, por exemplo) desta exposição diferenciada, eles estão ajudando o Meio Ambiente como qualquer outra edificação sustentável faria.
  • Proteção e retenção de talentos: a forma como os líderes se comportam e influenciam seus colaboradores afeta muito a manutenção das pessoas nas organizações. Ser referência em Sustentabilidade é uma forma de melhorar a retenção das grandes estrelas.
  • Redução de riscos ambientais: é um retorno ambiental que afeta significativamente os outros dois pilares, portanto decidimos colocá-lo aqui. Os riscos ambientais podem afetar significativamente a rentabilidade e o valor dos ativos imobiliários no futuro, refletindo em seu retorno sobre o investimento. Riscos regulatórios estão cada vez mais evidentes em todo o mundo, incluindo códigos e leis que proíbem a construção de edificações ecologicamente incorretas e ineficientes em relação à Sustentabilidade.


3. Retorno Ambiental

Como este não é o foco desta postagem, além da maioria dos retornos serem óbvios, vamos apenas citá-los sem maiores explicações.

  • Redução da emissão de gases nocivos.
  • Conservação e restauração dos recursos naturais.
  • Redução e reaproveitamento de resíduos.
  • Aumento na qualidade do ar e da água.


Traduzindo para a linguagem dos empreendedores da nossa indústria: a construção sustentável é a opção que faz mais sentido porque atrai mais compradores (= mais dinheiro), aumenta significativamente o valor das edificações (= mais dinheiro) e fornece ambientes mais produtivos (= mais dinheiro). Levando isso em consideração e o fato de que estamos caminhando para uma era altamente tecnológica e com recursos naturais muito mais caros, não podemos de forma alguma ignorá-la.


Extra: 3: empresas que estão ganhando muito dinheiro com a sustentabilidade (Fonte: World Resources Institute


http://www.construcaosustentavel.net/2013/12/construcao-sustentavel-mais-dinheiro-saude-e-produtividade.html

1. PepsiCo: técnicas de conservação de água têm ajudado a reduzir os custos de água e energia nas operações da empresa em $45 milhões desde 2006. Trabalhando com ONGs e outros parceiros locais, a PespsiCo está compartilhando os aprendizados destas experiências com sua rede de agricultores para construir uma rede de suprimentos mais sustentável. A empresa também tem um local onde ela está testando tecnologias de energia solar, biomassa e outras fontes limpas, visando descobrir qual tecnologia funciona melhor em suas instalações, considerando as características específicas do seu modelo de negócios.

2. Waste Management, Inc.: a empresa está colaborando com seus clientes e investindo em tecnologias avançadas, como a pirólise, transformando seu fluxo de resíduos em energia limpa. Sua liderança quer criar mais valor a partir de seus materiais do que a concorrência faz. Eles entenderam que, ao desenvolver tecnologias que transformam seus resíduos em produtos de valor, o que é considerado "lixo" pode ser tornar uma fonte importante de receita.

3. Intel Corporation: experimentos envolvendo descontos de custos sociais e ambientais em suas projeções financeiras estão sendo feitos para projetos de capital, como novas fábricas. A Intel Corporation aumentou o tempo de retorno sobre o investimento para alguns projetos que ajudam a reduzir os riscos ambientais. Ao integrar a Sustentabilidade ao coração de seu processo orçamentário, a empresa agora pode fazer investimentos financeiros mais sólidos e com um risco menor de enfrentar as pressões ambientais no futuro.