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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Professores universitários inovam e lançam livro interdisciplinar sobre Comunicação Organizacional Verde



Como o objetivo de suprir a lacuna de bibliografia nacional que oriente empresas e organizações sobre como transformar os desafios trazidos pelas mudanças climáticas e a escassez de determinados recursos naturais em verdadeiras oportunidades de negócios, será lançado, no próximo dia 18 (segunda-feira), o livro "Comunicação Organizacional Verde: Economia, Marketing Ambiental e Diálogo Social para a Sustentabilidade Corporativa". O evento, aberto ao público, acontecerá na unidade Centro da Ibmec Rio de Janeiro, às 19h, e contará com coquetel e palestra dos autores, o economista Emmanoel Boff (UFF), o jornalista Nemézio Amaral Filho (Ibmec), e o publicitário Eduardo Murad (UFF/Ibmec). Os três são professores-doutores que ministram disciplinas que fazem a interface entre suas áreas de formação e as questões ambientais.

O livro, produzido pela Editório, nasceu com a proposta interdisciplinar inédita de, por meio da Economia, o Marketing e a Comunicação, lançar bases do crescimento corporativo sustentável por meio do conceito de Comunicação Organizacional Verde.

De acordo com Nemézio Amaral Filho, cada vez mais empresas e organizações têm investido em sustentabilidade, mas a maior parte delas ainda têm dificuldades em comunicar adequadamente ao consumidor como a empresa fornece produtos e serviços ambientalmente responsáveis, transformando essa informação num diferencial mercadológico. "O que fizemos foi sistematizar e propor procedimentos ao mercado a partir de pesquisas e metodologias acadêmicas. Há uma disposição favorável da opinião pública por empresas que adotem práticas sustentáveis - é preciso saber comunicá-las", explica Nemézio Amaral Filho. Eduardo Murad completa: “Consumir é também uma forma de se expressar. Quando um consumidor adquire um produto ele não busca somente o bem material ou o serviço, mas também todos o valore que ele transmite. Felizmente, há um mercado em forte ascensão que se identifica com as questões ambientais e que escolhe a opção verde na hora de comprar, mesmo que isso represente pagar a mais”.

Para Emmanoel Boff, o crescimento do consumo verde é uma forma de pressionar as empresas que não investem em sustentabilidade a reavaliar suas diretrizes. “Não só os consumidores estão começando a aprender a fazer escolhas mais conscientes como também os grandes investidores têm exigido das companhias que provem que estão investindo em sustentabilidade e que assim estarão preparadas para encontrar fontes alternativas e menos poluentes para as suas produções, num futuro bem próximo, o que deve garantir a longevidade desses negócios”.


Serviço:
Dia: 18/11 (segunda-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Ibmec (Unidade Centro), Av. Presidente Wilson, 118, auditório do 10° andar, Centro. Rio de Janeiro – RJ.


Sobre os autores


Eduardo Guerra Murad Ferreira

Doutor em comunicação pela ECA, USP. Mestre em comunicação pela ECO, UFRJ. Publicitário, formado pelo IACS, UFF. Profissional de comunicação e marketing, atuante na área de sustentabilidade social corporativa, responsabilidade social, diálogo social, planejamento de comunicação e marketing, comunicação organizacional. Através da ONG Dialog desenvolveu projetos de investimento social e gestão de impacto de empresas como Shell, Vale do Rio Doce, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Portal do Voluntário e Accenture. É consultor associado do Ideia Café, onde realizou projetos para clientes como DNV, Geosoft,  Projac – Globo/RJ e CSU. Foi Coordenador da pós-graduação em Comunicação Organizacional Integrada e em Gestão do Entretenimento da ESPM-RJ até setembro de 2012. É professor da Universidade Federal Fluminense – UFF/IACS. Atualmente é coordenador adjunto das Graduações de Comunicação (Jornalismo e Propaganda & Marketing) do IBMEC, bem como do MBA em Comunicação Estratégica.



Emmanoel de Oliveira Boff

Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em economia pela UFF, Emmanoel é professor de economia na UFF. Atua principalmente nos seguintes temas: na área de pensamento econômico, Foucault, figura do homem, arqueologia da economia. Na área de economia ambiental aplicada, procura estudar o impacto de instituições nas preferências dos agentes por recursos ambientais.





Nemézio Amaral Filho

Com graduação em Jornalismo e mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pela UFPA, além de doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Nemézio é coordenador-estratégico do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária da UFRJ (LECC-UFRJ), professor da Ibmec e consultor ad hoc do Terceiro Setor e jornalista concursado da Divisão de Comunicação do INCA/MS. Profissional com experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo, atua principalmente nos temas meio ambiente, negritude, comunidade e crítica da mídia; em 2011, lançou o livro "O Passo a Passo da Monografia em Jornalismo", pela editora Quartet.

domingo, 10 de novembro de 2013

4º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade está com inscrições abertas

Fonte: Equipe Akatu 

Categoria “Jornalismo” é integrada à nova edição da premiação, que passará a ser anual


O 4º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, lançado no dia 13/06 pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) e a Fundação Dom Cabral (FDC), está com inscrições abertas até 20/01/14.

Atualmente o prêmio conta com quatro categorias: Empresa (Microempresa, Pequena / Média Empresa, Grande Empresa, Indústria e Entidade Empresarial); Órgão Público; Academia (Professor e Estudante); e a mais recente delas, Reportagem Jornalística (Rádio/TV, Jornalismo Impresso e Jornalismo On-line).

O prêmio reconhecerá projetos de acordo com critérios como relevância para o negócio, amplitude, nível de atendimento aos 16 Princípios do Varejo Responsável, da Fundação Dom Cabral, e inovação, quesito que passou a ser pilar permanente do prêmio a partir desta edição.

"Aqui no Brasil, falta capital de risco para investir em inovação. Temos boas ideias, mas faltam empresas com coragem para investir em novos projetos", afirma o presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, José Goldemberg, que acredita na premiação como um canal de exposição de práticas que pode contribuir para viabilizar iniciativas sustentáveis.

De acordo com o professor da Fundação Dom Cabral, Cláudio Boechat, o varejo é um dos setores que mais tem potencial de educar as pessoas para adquirir produtos e serviços sustentáveis. "Ele é a ponte entre a indústria e o consumidor, então deve assumir o papel de educador e promotor de práticas sustentáveis para termos um planeta muito mais saudável para viver".

Os vencedores desta edição receberão como prêmio um título de capitalização ou previdência no valor de R$ 15 mil.

Saiba mais sobre o prêmio aqui.

Faça aqui sua inscrição.

SERVIÇO
4º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade
Quando: De 13/06/13 a 20/01/2014.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Que caminhos seguir nesta crise planetária?


Por Washington Novaes 

É um susto ler a notícia (BBC News, 22/10) de que a experiente, cautelosa secretária executiva da Convenção do Clima (ONU), Christiana Figueres, ao ser entrevistada pela rede de televisão BBC, perdeu o controle e desabou em pranto incontido após afirmar que a falta de acordo global para conter emissões que contribuem para mudanças climáticas "está condenando as futuras gerações antes mesmo que elas nasçam". Isso, a seu ver, "é absolutamente injusto e imoral". Se nem uma diplomata no mais alto nível consegue ocultar a emoção e cai no choro, que pensarão os cidadãos no mundo todo - ainda que ela diga não perder a esperança num acordo global (em Paris, 2015) para conter emissões, porque estamos "nos movendo lentamente, mas na direção certa"?

A entrevista ocorreu poucos dias depois de 800 mil pessoas haverem sido retiradas de suas casas no Estado indiano de Odisha, ameaçadas por um ciclone (The New York Times, 13/10). E de esse mesmo jornal haver publicado (Estado, 15/10) que um quarto dos seres humanos (mais de 1,5 bilhão de pessoas) está "em risco", principalmente a população de países "à beira do Golfo de Bengala" (incluindo Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Mianmar, Tailândia, Malásia e Sumatra), por causa dos chamados "eventos climáticos".

Mas, como disse Christiana Figueres, as negociações caminham - quando caminham - muito lentamente. No ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia, o financiamento de projetos que reduzam emissões não passaram de 60% do que a Convenção do Clima considera o mínimo necessário para conter o aumento da temperatura do planeta em 2 graus Celsius. Até 2020 seriam indispensáveis US$ 5 trilhões. E ao longo de mais tempo só o setor de energia precisará investir US$ 19 trilhões.

E nós, por aqui? Diz o cientista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos mais informados sobre clima - foi um dos autores do Quinto Relatório de Avaliação do Painel do Clima (IPCC) -, que nos últimos cinco anos o Brasil assumiu "um padrão de poluidor de Primeiro Mundo" (O Eco, 10/10). O desmatamento caiu e a causa maior das emissões está na queima de combustíveis fósseis, em especial por veículos. Mas a agricultura, a indústria e as termoelétricas, principalmente, também contribuem. E o Grupo de Trabalho sobre Clima do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, em ofício ao Senado, alerta que o processo de revisão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, coordenado pela Casa Civil da Presidência, se encontra "completamente prejudicado e fadado a um grande insucesso". A boa notícia é que o cientista Carlos Nobre, também do Inpe e do Ministério da Ciência e Tecnologia, foi convidado a integrar o Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global, que assessora o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (FP, 17/10). Quem sabe de lá não conseguirá influenciar nossos padrões governamentais na área do clima?

Não é só nessa área que se sucedem notícias preocupantes em âmbito mundial. Estudo do Crédit Suisse (Ethos, 24/10), um dos maiores grupos financeiros internacionais, diz que o nível de concentração de renda é espantoso, já que 0,7% da população global (menos de 50 milhões de pessoas) detém 41% da riqueza mundial total, que é de US$ 241 trilhões (ficam com US$ 98,7 trilhões). Se a riqueza mundial fosse dividida igualmente, seriam US$ 51,6 mil para cada pessoa. Mas o Brasil está no grupo de países com renda média entre US$ 5 mil e US$ 25 mil. A Austrália é o país com riqueza mais bem distribuída (US$ 219 mil per capita). E os EUA, com o maior produto interno bruto, "têm um dos maiores índices de pobreza e desigualdade do mundo".

O quadro é ainda mais forte quando se foca a questão dos alimentos. Mark Bittman, do jornal The New York Times (Estado, 22/10), depois de relembrar que quase 1 bilhão de pessoas passa fome, acentua que produzimos calorias suficientes para todas (2,7 mil diárias para cada uma), mas um terço serve para alimentar animais, 5% são usados na produção de biocombustíveis e "um terço é desperdiçado ao longo da cadeia alimentar".

Se aproximarmos os olhos da África veremos que só no Congo (antigo Zaire), "em quase duas décadas, os confrontos no leste do país deixaram cerca de 6 milhões mortos" (equivalentes a mais de metade da população da cidade de São Paulo), no "mais sangrento confronto" desde a 2.ª Guerra Mundial (Estado, 20/10). Principalmente entre etnias como tutsis e hutus, que, deslocadas pelos antigos colonizadores (que buscavam minérios), hoje se matam na disputa por áreas mais favoráveis em termos de recursos naturais, principalmente água e terra para plantar.

Mas não adianta só ficarmos inconformados. É preciso propor e obrigar legisladores, em todos os níveis, a aprovar regras, padrões adequados para tudo. E criar ônus financeiros para quem os desrespeitar. Nos licenciamentos urbanos, por exemplo, de forma a evitar "ilhas de calor", adensamentos do tráfego, aumento da poluição do ar e de seus custos na vida das pessoas e na área de saúde. Na imposição de critérios rígidos para evitar a poluição do ar, detectar donos de veículos infratores na inspeção veicular obrigatória, puni-los. Impedir a remoção de biomas e fragmentos de vegetação que levem a aumentos de temperatura, mudanças do clima. Coibir formatos e dimensões inadequados na agropecuária. Também nas emissões de poluentes industriais. Obrigar governos, empreendedores, geradores e distribuidores de energia e cidadãos a seguir um modelo de eficiência energética e redução acentuada de poluentes. Impedir a deposição de esgotos sem tratamento nos recursos hídricos. Eliminar lixões. Etc., etc.

Não há tempo a perder. Já temos problemas até com lixo espacial. E vamos começar a buscar recursos em outros corpos celestes.

*Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br   

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A expansão hidrelétrica e o modelo de desenvolvimento



Conforme os dados anunciados pelo governo no final do ano passado, a meta é construir 34 hidrelétricas na próxima década

Imagem: Joka Madruga


Conforme o “Plano Decenal de Expansão de Energia 2021”, o Governo prevê a construção de 34 hidrelétricas nos próximos 10 anos, sendo que 15 serão nos rios da Amazônia (86,5% da potência).  Seguindo a atual política de tratamento, milhares de famílias serão expulsas sem receber seus direitos.

Desde a falta de abastecimento de energia elétrica em 2001, conhecida como “apagão”, houve um esforço crescente de convencer a população da necessidade de construção de hidrelétricas para suprir o consumo.

Entre 2004 e 2012, o potencial hidrelétrico instalado subiu de 90 GW para 120 GW, um crescimento de 30% na geração de energia.  Conforme os dados anunciados pelo governo no final do ano passado, a meta é construir 34 hidrelétricas na próxima década.

Atualmente, 15 usinas hidrelétricas (UHEs) se encontram em construção no país, somando cerca de 22.00 MW de potência.  Outras 19 UHEs, que somam 19.700 MW, estão na lista para serem leiloadas.

Também serão construídas dezenas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas hidrelétricas de pequeno porte, que poderão acrescentar mais 2.500 MW de potência até o ano de 2021.  Além disso, outras 29 UHEs, com potencial de 8.900 MW, estão em “estudo de viabilidade” e também poderão entrar nos planos de leilões.

Entretanto, diversos especialistas, organizações e movimentos sociais ligados à energia contestam essa política de geração voltada para atender os interesses dos grandes consumidores eletrointensivos, exportadores de produtos de matéria prima.

Em 2009, segundo o professor da USP, Célio Bermann, cerca de 30% da energia elétrica produzida no país foi consumida por seis ramos de grandes consumidores industriais – cimento, ferro-gusa e aço (siderurgia), ferro ligas, não ferrosos (alumínio), química, papel e celulose.

São produtos que se utilizam de muita energia, geram um grande impacto social e ambiental, não agregam valor e são destinados à exportação.

O questionamento fundamental sobre as usinas tem sido “para que?  E para quem?”.  Já que, na atual forma de organização da política energética percebe-se que por trás estão grandes empresas mundiais de máquinas e equipamentos, construtoras, empresas de energia e grandes consumidores industriais eletrointensivos, que lucram com a construção das usinas, com a venda da energia e com a exportação de eletrointensivos.

População atingida poderá chegar a 250 mil


O governo estima que apenas 62 mil pessoas serão diretamente afetadas pela totalidade dos projetos, mas estes dados são contestáveis.  Somente em duas hidrelétricas que fazem parte destes planos, nas usinas de Belo Monte e no projeto de Marabá, são mais de 60 mil pessoas atingidas.

O próprio governo, até hoje, não possui nenhum cadastro ou levantamento preciso do número da população atingida por todas estas usinas.  Nas já construídas, a realidade mostra que o número real de atingidos chega a ser quatro vezes maior da estimativa do governo.

Essas práticas tem sido constantes e serve para a negação dos direitos dos atingidos pelas empresas.  A ausência de informações mais precisas por parte do governo sobre as populações que serão vítimas das usinas é a primeira demonstração das violações de direitos que ali serão cometidos posteriormente.

Área alagada


A área alagada pelos novos projetos está estimada em 6.456 Km², ou seja, 645 mil hectares.  A área é 10% maior que todo território do Distrito Federal.  No entanto, este cálculo pode estar subdimensionado.

Com a crise econômica mundial, na busca por maiores lucros, as corporações transnacionais estão se movimentando para retomar a construção de usinas com grandes lagos, as chamadas “usinas de acumulação”.  Se o governo ceder ao lobby dos empresários, os problemas sociais e ambientais se multiplicarão.

Comentário por Comunicação Organizacional Verde


Da mesma forma que o projeto de transposição do rio São Francisco, a construção de usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte – a mais emblemática delas –, no Pará, segue sem um debate amplo como o cidadão, ou, se alguém preferir, com o eleitor. Não basta rebater essa afirmação com a citação de matérias esporádicas nos veículos impressos de grande circulação, ou em “reportagens” que apelam mais ao exotismo e à curiosidade do entertainment na Internet e nos programas jornalísticos das TVs abertas comerciais: quando o governo realmente quer divulgar algo (PAC, Mais Médicos, Enem, etc) efetivamente consegue. Por que, então, a restrição em relação às discussões sobre os projetos de construção de hidrelétricas, algumas delas com retornos energéticos questionáveis, como Belo Monte, sem contar os incontornáveis impactos ambientais e os danos sociais às populações direta ou indiretamente atingidas? O que for feito agora – ou pior, o que não for feito – terá efeitos decisivos sobre as futuras gerações. Tais decisões, portanto, não deveriam ficar restritas aos gabinetes de Brasília: não importa quão desenvolvimentistas e iluminados seus ocupantes julguem ser.

Nesse contexto, um dos problemas que temos quando tratamos de bens naturais e economia é relativo às falhas de mercado que ocorrem com esse tipo de bem. Estas falhas ocorrem, por entre outros motivos, pelo que podemos denominar caráter público dos bens naturais. Na economia mainstream (tradicional), bens públicos produzem incentivos perversos que podem levar à superexploração e à subproteção dos bens naturais. Afinal, se não há direitos de propriedade bem definidos para um rio, uma floresta ou o ar, o que impediria qualquer um - e todos nós, de fato - de usa-los tanto quanto querem(os), a seu (nosso) bel-prazer? 

Deste modo, além do que chamamos transparência ativa verde, é necessário refletir sobre o próprio estatuto do uso do mecanismo do mercado quando se trata de bens naturais. Não parece caber somente às empresas serem transparentes quanto ao modo que produzem seus bens e serviços: se o próprio mercado produz incentivos perversos para a ação individual, tal transparência ainda será, em princípio, necessária, mas insuficiente, para dar conta da dimensão ambiental olhada sistemicamente. Assim, a título de reflexão, podemos nos perguntar: em que tipo de mercado e com qual tipo de agente econômico poderíamos lidar para gerar uma sustentabilidade de fato?  

domingo, 3 de novembro de 2013

Investidores pedem que firmas de combustíveis fósseis avaliem riscos climáticos


Por Jéssica Lipinski  

Coalizão de 70 investidores, que juntos reúnem mais de US$ 3 trilhões, desafia as maiores companhias do mundo de petróleo, gás e carvão a se tornarem mais preparadas para um futuro de baixo carbono



Um futuro climaticamente seguro implica em uma utilização cada vez maior das energias renováveis e de estratégias de eficiência energética em detrimento do uso de combustíveis fósseis. Sendo assim, o que podemos esperar das empresas que atualmente dependem dos combustíveis fósseis para sobreviver? Pensando nisso, um grupo de 70 investidores decidiu perguntar a essas firmas como elas planejam lidar com a questão.

A ação dos investidores, chamada de iniciativa Carbon Asset Risk (CAR), foi lançada nesta semana visando estimular as 40 maiores companhias de combustíveis fósseis do mundo a avaliarem os riscos das mudanças climáticas para seus negócios e os benefícios de apoiar energias de baixo carbono. No último mês, os investidores já haviam enviado cartas às firmas solicitando respostas detalhadas antes de 2014.

O esforço é uma resposta ao relatório Unburnable Carbon, apresentado neste ano, que aponta que, apenas em 2012, as 200 maiores empresas de combustíveis fósseis gastaram cerca de US$ 674 bilhões para encontrar e desenvolver novas reservas, que podem nunca ser utilizadas devido às políticas internacionais para redução de emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

“As companhias de combustíveis fósseis são as maiores fontes de poluição de carbono de longe, o que significa que elas também estão unicamente posicionadas para liderar o mundo na resposta aos riscos climáticos globais”, colocou Mindy Lubber, presidente do Ceres, que coordena a coalizão.

Os investidores estão preocupados que o dinheiro colocado em projetos de energia fóssil, que contribui para as mudanças climáticas, possa se tornar irrecuperável, fazendo com que as empresas do setor percam valor de mercado.

Por exemplo, o valor de algumas firmas do setor carbonífero já está caindo, principalmente com o aumento da competição entre as fontes de energia, novos padrões de qualidade do ar para reduzir os impactos na saúde, e medidas para diminuir a poluição de carbono.

“O mundo está levando as mudanças climáticas a sério e as pressões globais para reduzir o uso de combustíveis fósseis apenas se tornarão mais fortes”, observou Jack Ehnes, CEO do California State Teachers’ Retirement System (CalSTRS).

“Como investidores em longo prazo, vemos o mundo caminhando para um futuro de baixo carbono no qual as reservas de combustíveis dosséis que as companhias continuam a desenvolver podem na verdade se tornar um passivo, o que pode afetar o valor para os acionistas”, acrescentou Ehnes.

Por isso, os investidores querem saber como as empresas de combustíveis dosséis planejam lidar com os riscos climáticos e com a emergente economia de energia limpa: por exemplo, através da redução da intensidade de CO2 dos ativos, do abandono dos projetos mais intensos em emissões, e do investimento em fontes de energia de baixo carbono.

“Gostaríamos de compreender a exposição de reserva [das companhias] aos riscos associados às atuais e prováveis futuras políticas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 80% até 2050”, escreveram os investidores às firmas de petróleo, gás e carvão.

Ainda nesta semana, os investidores receberam respostas preliminares de 30 empresas, mas muitas delas garantiram que as questões serão detalhadas aos investidores em breve.

“Muitas das respostas que os investidores receberam de companhias até agora reconhecem que há um problema de risco legítimo em torno das reservas de carbono, e as companhias estão abertas ao engajamento contínuo da comunidade de investidores para determinar o alcance”, comentou Mark Fulton, assessor do Ceres e membro do Quadro de Assessoria da iniciativa Carbon Tracker, que também coordena a coalizão.

“As companhias de combustíveis fósseis se mostrarão mais responsáveis para com o capital no futuro se elas tomarem medidas agora para administrar os riscos colocados pelas mudanças climáticas”, concluiu Fulton.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Encontro Anual da Plataforma Liderança Sustentável 2013


Dez líderes de grandes empresas reúnem-se no encontro anual da Plataforma Liderança Sustentável, no dia 30 de outubro, em São Paulo, para apresentar, em palestras curtas, como a sustentabilidade vem sendo inserida no planejamento estratégico de suas organizações. O evento acontece no Teatro Cultura Artística, a partir das 19h (apenas para convidados), e terá transmissão ao vivo pela internet. Entre presidentes e vice-presidentes, já estão confirmadas as participações de representantes da Even, Duratex, Itaipu Binacional, Itaú, Renova, Samarco, Santander, Schneider Electric, Unilever e Votorantim.

O evento marca o início da 3ª etapa da Plataforma Liderança Sustentável, programa lançado em 2011 com a missão de inspirar, conectar e educar novos líderes para o tema da sustentabilidade. “Os depoimentos dos presidentes não trazem apenas histórias bem-sucedidas, mas também erros e aprendizados. A ideia é que a força da experiência relatada inspire e eduque mais e mais profissionais, formando uma grande teia de lideranças que colocam os valores da sustentabilidade no centro da tomada de decisão”, explica Ricardo Voltolini, idealizador do movimento.

Na ocasião acontece, ainda, o lançamento do segundo livro de Voltolini, Escolas de Líderes Sustentáveis (Campus-Elsevier). O primeiro, Conversas com Líderes Sustentáveis (Senac/SP), inspirou a idealização da Plataforma, que consiste, a rigor, num conjunto de estratégias e ferramentas de gestão de conhecimento: livro, portal, videopalestras, encontros regionais, workshops, estudos, artigos e conteúdos para educadores que trabalham com o tema da sustentabilidade em escolas de negócio e universidades.

As ferramentas, conteúdos e o engajamento promovidos pela Plataforma Liderança Sustentável acabaram gerando um grande movimento, cuja meta é trabalhar 50 casos pessoais de presidentes de empresas durante um ciclo de cinco anos, com a abordagem de cinco temas em sustentabilidade: o estado da arte da liderança para a sustentabilidade (2011), educação (2012), estratégia (2013), inovação (2014) e comunicação(2015). “Já realizamos 186 encontros em 30 meses de existência, atingindo presencialmente 34 mil jovens líderes em todo o país. As videopalestras dos presidentes e especialistas, uma das nossas mais importantes ferramentas, já foram vistas por cerca de 250 mil pessoas”, destaca Voltolini.

Na noite de 30 de outubro serão lançados, também, dois programas educacionais: um para jovens líderes sustentáveis e outro para líderes sustentáveis em governos. A neutralização de carbono do evento será realizada pela empresa Reclicagem.

Um pouco da história do movimento


Na mesma data em que o primeiro livro de Voltolini foi lançado – 2 de junho de 2011 –, aconteceu o primeiro encontro nacional de líderes da Plataforma Liderança Sustentável, com a presença dos 10 presidentes de grandes corporações retratados na obra – Fábio Barbosa (ex-Santander, atual Abril S.A.), Guilherme Leal (Natura), Paulo Nigro (Tetra Pak), Franklin Feder (Alcoa), José Luciano Penido (Fibria), Héctor Núñez (ex-Walmart, atual Ri Happy), Luiz Ernesto Gemignani (Promon), José Luiz Alquéres (ex-Light), Kees Kruythoff (Unilever), Miguel Krigsner (Grupo Boticário). Durante o evento, eles narraram, em minipalestras – gravadas e transformadas posteriormente em vídeos para o portal www.ideiasustentavel.com.br/lideres –, como pensam, agem e com base em que valores tomam decisões.

Em 2012, com o lançamento da segunda etapa do movimento – que tratou de como as empresas estão envolvendo e educando líderes para a sustentabilidade –, outras 10 lideranças aderiram ao programa – que, assim, passou a contar com 20 presidentes integrantes.

Novo livro


As histórias dos 10 presidentes integrantes da segunda etapa da Plataforma Liderança Sustentável são a base da obra Escolas de Líderes Sustentáveis. O livro está estruturadoem duas partes. A primeira discute como as escolas de negócios estão tratando o tema da sustentabilidade e preparando novos líderes para promover a transição para uma economia verde. A segunda traz os relatos e depoimentos inspiradores dos 10 presidentes que adotaram estratégias inteligentes de envolvimento e educação de seus líderes para a sustentabilidade. São eles Alessandro Carlucci (Natura), Alfred Hackenberger (BASF), Andrea Alvares (PepsiCo), Britaldo Soares (AES Brasil), Carlos Fadigas (Braskem), João Carlos Brega (Whirlpool),Luiz Barretto (Sebrae), Marise Barroso (Masisa), Oscar Clarke (HP) e Rodrigo Kede (IBM).

Serviço:


O quê: Encontro Anual da Plataforma Liderança Sustentável 2013

Quando:30 de outubro, a partir das 19h (apenas para convidados)

Onde: Teatro Cultura Artística (Av. Juscelino Kubitschek, 1830)


“Líderes sustentáveis são indivíduos que acreditam em e praticam os valores que estruturam o conceito de sustentabilidade, como ética, transparência, respeito ao outro e ao meio ambiente; têm coragem para enfrentar os dilemas socioambientais e tomar decisões difíceis; inserem a noção de sustentabilidade na estratégia central do negócio; e sabem que o lucro não pode mais vir em prejuízo de pessoas e do meio ambiente.”

domingo, 27 de outubro de 2013

Painel debate desafios da Política Nacional de Resíduos Sólidos


Ambientalista faz histórico da tramitação do projeto no Congresso


Por Tina Oliveira

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é um marco para engajar todos os atores sociais no processo de mudança que o país está passando, desde os catadores até os empresários, disse o ambientalista Fábio Feldman, autor, como deputado, do primeiro projeto de lei que tratou do assunto Durante o Ciclo de Debates da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), nesta sexta-feira (25/10), em Brasília, Feldman presidiu o painel sobre a Lei 12.305/10, que instituiu a PNRS, discorrendo sobre o histórico que levou a lei de resíduos sólidos ficar mais de 20 anos sendo debatida no Congresso Nacional. Um dos pontos que sofreu resistência, segundo ele, foi a questão da responsabilidade pós-consumo.

 A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou da abertura da mesa e explicou que a propostas do Ciclo de Debates muda a dinâmica tradicional da conferência para que a sociedade possa se envolver nesse diálogo. “Resíduos Sólidos é uma das questões mais sérias do País”, disse. “Por isso precisa de debate para que a sociedade acolha a lei e coloque em prática”. Ela enfatizou que a mudança de comportamento exige o debate social, requer visão estratégica e instrumentos que dialoguem com a população brasileira. “As leis ambientais não são exclusivas dos ambientalistas, as pessoas precisam ser inseridas no debate ambiental”, disse.

Para o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas Júlio Pinheiro, a PNRS é uma lei possível de ser aplicada em sua essência, superando os desafios. Ele explica que os tribunais atuam no controle preventivo para evitar o dano ambiental. Durante as auditorias feitas pelo tribunal, o conselheiro observou que foram identificados catadores de material reciclável em situações degradantes, resíduos perigosos junto aos orgânicos, chorume (líquido resultante da decomposição do lixo) e vazamento de gás metano.

Wanderley Baptista, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), opinou que a indústria brasileira pode ser tornar mais competitiva, como foco na sustentabilidade, já que os resíduos sólidos têm valor econômico. O representante da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), Carlos Silva, também destacou que o resíduo deve ser transformado em recurso, considerando-o como matéria-prima, minerais ou energia. “Temos que trabalhar a questão dos resíduos na perspectiva de preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e mitigação”, afirmou.

Silvano Silveiro, da prefeitura de São Paulo, aponta que a lei de resíduos sólidos pegou, tanto que virou tema de conferência nacional. Para ele, dois pontos se destacam: a logística reversa, que propicia o caminho de volta da embalagem do produto consumido, e a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. O secretário de Meio Ambiente do Pernambuco, Hélvio Porto, também acredita que os municípios conseguirão cumprir a lei, superando os desafios. O representante do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, Roberto Laureano da Rocha, enfatizou que a PNRS trata de pessoas e os municípios devem fazer planos para inclusão social dos catadores de material reciclável.

Educação Ambiental


A educação ambiental foi apontada como um tema transversal, que perpassa todos os pontos da lei, e representa uma das oportunidades de mudança cultural. Neste sentido, o diretor do Departamento de Educação Ambiental do MMA, Nilo Diniz, destacou que a educação ambiental ultrapassa o conceito escolar”, pois também trata de comunicação social, capacitação e educação para o consumo sustentável.

Na ocasião, apresentou a plataforma Educares que foi criada com o propósito de recolher boas práticas voltadas para a educação ambiental e a comunicação social. “A sociedade encontra suas próprias soluções em suas comunidades e essas experiências devem ser compartilhadas”, frisou. Também será lançado, ainda neste ano, edital que irá chancelar essas boas práticas.

sábado, 26 de outubro de 2013

Aviação brasileira faz primeiro voo comercial com biocombustível


Por Camila Maciel

São Paulo - Decolou, no início da tarde de 23 de outubro, do Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, para o Aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, no Distrito Federal, o primeiro voo comercial brasileiro com bioquerosene. A operação com combustível renovável, feita pela companhia Gol Linhas Aéreas, pode reduzir em até 80% a emissão de gases de efeito estufa. A empresa espera disponibilizar cerca de 200 rotas com essa tecnologia durante a Copa do Mundo de 2014. O evento marca o Dia do Aviador, celebrado na data em que Santos Dumont fez o primeiro voo em um avião.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), o combustível de aviação representa, atualmente, cerca de 43% do custo das passagens aéreas. A curto prazo, no entanto, essa mudança não deve repercutir no valor da tarifa. "Com maior adesão a esse tipo de programa, acompanhado de políticas públicas, a tendência é que haja um ganho de escala a ponto de fazer com que esse combustível tenha um custo equivalente ao de origem fóssil. Para nós, já seria uma grande conquista. Essa é a meta do primeiro momento", explicou Paulo Kakinoff, presidente da Gol.

O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, considera que ainda é cedo para definir uma política pública de incentivo à utilização de biocombustível na aviação. "A consequência que queremos é que essas melhorias signifiquem custos menores, mas é cedo para definir como vamos operar para que essa experiência, que já é viável, seja coletivamente utilizável. Esse é o objetivo da política que vai ser formulada a partir de agora", declarou. Ele esclareceu que, inicialmente, a proposta foi garantir um padrão de sustentabilidade que melhore a vida no planeta.

A tecnologia do biocombustível utilizada para esse voo foi desenvolvida pela empresa norte-americana Amyris, com filial no Brasil, e não necessita de nenhum ajuste do maquinário do avião. "O bioquerosene é uma mudança de paradigma. Você passa a ter, a exemplo do carro a álcool e veículos de biodiesel, também os aviões com essa possibilidade", avaliou Donato Aranda, professor do curso de engenharia química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O processamento do combustível do voo de hoje utilizou uma mistura de óleos vegetais, incluindo o de milho e o de cozinha já usado.

O primeiro voo com a tecnologia desenvolvida pela Amyris foi feito em caráter experimental no ano passado, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a  Rio+20. "De todos os biocombustíveis, esse é o mais novo. E para a adoção de um parâmetro novo na aviação, a segurança exigida é quatro vezes maior do que qualquer outro veículo. É uma tecnologia mais sofisticada", justificou Aranda. Foram pelo menos cinco anos de estudos até que fossem concluídas as validações de especificações técnicas pela indústria aeronáutica e órgãos como a ASTM Internacional (um órgão norte-americano de normalização, originalmente conhecido como American Society for Testing and Materials) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cidades serão grande desafio do Brasil na sustentabilidade

Fonte: Exame.com

"Corremos o risco de conseguir sustentabilidade na agricultura e ter uma grande dificuldade com a estrutura de cidades como o Rio ou SP", diz secretário


Rodrigo Soldon/Wikimedia Commons
Marina da Glória, no Rio de Janeiro
Rio de Janeiro - Rio também sofre com um déficit de 860 mil árvores, com arborização deficiente ou criticamente
deficiente em 93% dos bairros, acrescentou secretário


Rio de Janeiro – O maior desafio do Brasil na área da sustentabilidade envolve a adequação das grandes cidades, disse hoje (24) o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre, que participou de encontro da Rede Global de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

"A parte mais difícil para o Brasil se tornar uma potência ambiental é a questão da cidade. Corremos o risco de conseguir sustentabilidade na agricultura e em outros setores e ter uma grande dificuldade com a estrutura de cidades como o Rio ou São Paulo", ressaltou Nobre.

Para ele, as cidades serão um desafio também no que diz respeito ao impacto das mudanças climáticas.

O encontro foi na sede da Fundação Brasileira para Desenvolvimento Sustentável e tratou da capacidade das cidades de resistirem a desastres futuros que possam ser intensificados pelas mudanças no clima, de oportunidades econômicas e da biodiversidade, considerada uma vantagem do Rio.

O professor Paulo Gusmão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destacou a necessidade de investimentos estruturantes, que têm sido feitos na região metropolitana, como os polos industriais de Itaguaí e Itaboraí.

Como 10,3% do território da capital, essas áreas têm menos de 10 metros de altitude e podem ser mais sujeitas a inundações, com chuvas mais fortes ou níveis mais altos dos mares. Bairros das zonas oeste e norte, às margens das baías de Guanabara e de Sepetiba, e as lagoas da Barra da Tijuca também poderiam ser afetados ao menos em um cenário crítico, disse ele. 

De acordo com Gusmão, as cidades da região metropolitana são díspares quando o assunto é a base de dados, e alguns municípios sofrem com a falta de servidores especializados que permaneçam nos postos para dar continuidade às políticas públicas: "A municipalidade precisa de equipes permanentes, e não de profissionais de passagem", afirmou.

Membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas, Fábio Scarano disse que, quanto à biodiversidade, a região metropolitana está bem posicionada, por já ter 16% do território protegido em reservas ambientais, enquanto a meta global é atingir 17% até 2020.

O Guandu é responsável por 80% do abastecimento do Rio de Janeiro e recebe águas já contaminadas do Paraíba do Sul, problema cuja solução, segundo Sacarano, precisaria de uma articulação com São Paulo.

O Rio também sofre com um déficit de 860 mil árvores, com arborização deficiente ou criticamente deficiente em 93% dos bairros, acrescentou

Sobre a economia, o diretor da Bradesco Asset Management, Joaquim Levy, disse que a cidade precisa aproveitar o momento, não deixar que ele passe, para evitar novas distorções. "O Rio está passando por um novo ciclo de investimentos, como aqueles que a cidade só viveu de 50 em 50 anos.

Para a pesquisadora norte-americana Cynthia Rosenzweig, do Nasa Goddard Institute for Space Studies, o futuro reserva um papel de liderança às metrópoles.

"As cidades devem liderar a busca por sustentabilidade. Elas se conectam em vários fluxos, mas o que pode ser feito para que assumam essa posição? É preciso criar um sistema que ajude as cidades como um todo, com mais financiamento à pesquisa e soluções implementáveis", afirmou.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Green Project Awards Brasil divulga vencedores de 2013


Por Débora Spitzcovsky 


Falta pouco para os brasileiros conhecerem os grandes vencedores da edição 2013 do Green Project Awards Brasil. Em 01/11, o prêmio de sustentabilidade, que reconhece boas práticas empresariais e individuais de desenvolvimento sustentável, divulgará seus ganhadores em cerimônia oficial, em São Paulo. 

Criada em 2008, em Portugal, a iniciativa está em sua segunda edição no Brasil. Neste ano, serão anunciados cinco ganhadores para o prêmio, entre os 188 inscritos. Isso porque cada categoria do Green Project Awards Brasil terá um campeão. São elas: 
- Iniciativa de Mobilização; 
- Pesquisa e Desenvolvimento; 
- Produto ou Serviço; 
- Iniciativa Jovem e 
- Gestão Eficiente de Recursos, que foi criada para a edição de 2013. 

Por enquanto, a equipe do GPA Brasil já divulgou os 18 finalistas da iniciativa, cujos projetos foram analisados pela consultoria KPMG. 

Co-realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, no Brasil, o Green Project Awards também é promovido em Portugal e Cabo Verde e, em 2014, deve chegar a Angola e Moçambique. Para o ano que vem, a GCI, consultoria portuguesa especializada em sustentabilidade que comanda a iniciativa, ainda planeja lançar o prêmio CPLP - Green Project Awards, que vai eleger o melhor projeto internacional, entre todos os vencedores das edições nacionais. 

CERIMÔNIA DE DIVULGAÇÃO DOS VENCEDORES DO GPA BRASIL 
Data: 01/11 
Local: Teatro Vivo 
Endereço: Av. Dr. Chucri Zaidan, nº 860, Itaim - São Paulo/SP

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Conferência Rio Clima reúne recomendações para COP19


Por Débora Spitzcovsky

bossa67/Creative Commons

Nos dias 28 e 29/10, a capital fluminense recebe a edição 2013 da Conferência Rio Clima. Promovido pela Fundação Movimento OndAzul, o evento pretende reunir especialistas em clima, nacionais e internacionais, para debater a situação das mudanças climáticas e reunir recomendações para a 19ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas, a COP19, que acontece em novembro na cidade de Varsóvia, na Polônia. 

Para tanto, além de discutir maneiras eficazes de negociar e implantar novas políticas públicas relacionadas ao clima, o encontro focará em três temas: 
- adaptação frente às mudanças climáticas; 
- mitigação climática e 
- formas de financiamento para a economia de baixo carbono. 

A ideia é que as recomendações que surgirem no encontro sejam reunidas em um documento, que será encaminhado ao governo brasileiro e, também, apresentado durante a COP19. Em 2012, duas sugestões que foram elencadas durante a primeira edição da Conferência Rio Clima entraram na pauta do governo brasileiro: 
- a precificação dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas e 
- novos índices que meçam o desenvolvimento sustentável do país e influenciem nos resultados do PIB. 

Entre os especialistas que participarão da edição 2013 do evento estão: 
- Suzana Kahn, membro do IPCC e vice-presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (leia o artigo Uma sentença e duas interpretações); 
- Emílio Lèbre La Rovere, coordenador do Centro Clima da COPPE/UFRJ e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (leia a entrevista Desafios para mitigar emissões brasileiras de GEE); 
- Pavan Sukhdev, economista indiano autor do livro Corporação 2020, lançado pelo selo Planeta Sustentável; 
- Masahiro Nozaki, economista sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI)

O segundo dia de debate, em 29/10, é aberto ao público. Os interessados em comparecer ao encontro não precisam realizar inscrição prévia. Basta ir ao evento com documento. As vagas são limitadas. 

CONFERÊNCIA RIO CLIMA 2013 
Data: 28 e 29/10 
Horário: 9h às 18h30 
Local: Firjan 
Endereço: Av. Graça Aranha, 1, Centro - Rio de Janeiro/RJ

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fim dos lixões até 2014 é tema da Conferência Nacional do Meio Ambiente


Por Ana Cristina Campos, repórter da Agência Brasil
Edição: Graça Adjuto


Brasília - O Brasil tem 2.906 lixões em atividade e das 189 mil toneladas de resíduos sólidos produzidas por dia apenas 1,4% é reciclado. Mudar esse quadro –  acabando com os lixões até 2014 e aumentando o percentual de reciclagem – é uma das principais metas da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente, que este ano vai discutir a geração e o tratamento dos resíduos sólidos. O evento ocorre em Brasília, de 24 a 27 de outubro.

O tema ganhou relevância após a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei 12.305, de 2010, que determina que todos os municípios tenham um plano de gestão de resíduos sólidos para ter acesso a recursos financeiros do governo federal e investimento no setor.

Os 1.352 delegados debaterão a PNRS com base nas propostas apresentadas nas 26 etapas estaduais e na etapa distrital e nas 643 conferências municipais e 179 regionais que mobilizaram 3.602 cidades e 200 mil pessoas. A conferência terá quatro eixos temáticos: produção e consumo sustentáveis, redução dos impactos ambientais, geração de emprego e renda e educação ambiental.

Na etapa nacional, será produzido um documento com 60 ações prioritárias, sendo 15 por eixo. “O governo vai deter sua atenção nessas ações demandadas pela conferência para implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos,” disse o diretor de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Geraldo Abreu. Esses resultados constarão na carta de responsabilidade compartilhada da 4ª CNMA.

Pela Lei 12.305, após 2014 o Brasil não poderá mais ter lixões, que serão substituídos pelos aterros sanitários. Além disso, os resíduos recicláveis não poderão ser enviados para os aterros sanitários e os municípios que desrespeitarem a norma podem ser multados.

O desafio é grande: existem quase 3 mil lixões no Brasil para serem fechados no prazo fixado na PNRS, apenas 27% das cidades brasileiras têm aterros sanitários e somente 14% dos municípios brasileiros fazem coleta seletiva do lixo. “Precisamos transformar os resíduos em matéria-prima para que o meio ambiente não seja tão pressionado. Perdemos potencial econômico com a não reutilização dos produtos”, explicou Abreu. Segundo o MMA, se os resíduos forem reaproveitados podem valer cerca de R$ 8 bilhões por ano.

“A gestão de resíduos sólidos, até a publicação da lei, se deu de forma muito desordenada, trazendo uma série de prejuízos à população. Vimos proliferar lixões por todo o Brasil, com desperdício de recursos naturais que, pela ausência de um processo de reciclagem, acabam indo para esses locais inadequados”, disse Abreu.

A conferência vai discutir, entre outras medidas, o fortalecimento da organização dos catadores de material reciclável por meio de incentivos à criação de cooperativas, da ampliação da coleta seletiva, do fomento ao consumo consciente e da intensificação da logística reversa, que obriga as empresas a fazer a coleta e dar uma destinação final ambientalmente adequada dos produtos.

domingo, 20 de outubro de 2013

30 MBAs para quem quer trabalhar com sustentabilidade

Fonte: Exame.com

Além da reciclagem: Conheça as escolas de negócios que mais se preocupam com o meio ambiente e preparam seus alunos para preservá-lo



São Paulo - Na lista das profissões do (e com) futuro, as profissões ligadas à área de sustentabilidade, como gestor de ecorrelações e engenheiro ambiental, são destaque. Não é para menos. As empresas perceberam que investir em ações de preservação do meio ambiente, além de politicamente correto, também traz retorno - financeiro inclusive. 

Neste cenário, nada mais justo do que o tema ter mais espaço dentro dos programas de MBA. E, neste sentido, o curso da canadense Schulich School of Business é a que mais prepara seus futuros alunos para atuar na área, segundo ranking da Corporate Knights. 

Para chegar aos nomes, a publicação levou em conta os programas que a escola mantém voltados para o tema (como estágios, pesquisa e eventos), iniciativas dos alunos relacionados a sustentabilidade e o peso do assunto no currículo. 




quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Investimentos em eficiência energética passam de US$ 300 bilhões


Por Fabiano Ávila 

Agência Internacional de Energia afirma que o mundo já gasta tanto em medidas de eficiência quanto em geração elétrica por fontes renováveis e combustíveis fósseis


Entre 2005 e 2010, iniciativas como padrões de consumo de eletricidade em prédios públicos, selos em aparelhos eletrônicos e melhorias em redes de transmissão resultaram na economia de US$ 420 bilhões que seriam gastos em petróleo por apenas 11 países.

Essa é uma das informações que apresenta o primeiro relatório Mercado de Eficiência Energética, da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado nesta quarta-feira (16). 

Segundo o documento, foram gastos mais de US$ 300 bilhões em 2011 em eficiência energética, o que a AIE classifica como uma quantia semelhante ao que é investido anualmente na geração de eletricidade por renováveis ou fósseis.


“Eficiência energética tem sido chamada de 'combustível invísível', mas está na realidade em plena vista. O investimento global em eficiência e a economia resultante dele são tão imensos que nos obrigam a perguntar: a eficiência energética é mesmo somente o combustível invísível ou seria na verdade o principal combustível do planeta?”, afirmou Maria van der Hoeven, diretora executiva da AIE.

O relatório é centrado nos impactos de medidas de eficiência em 11 países desenvolvidos: Alemanha, Austrália, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Itália, Japão, Suécia e Reino Unido. 

Desde a década de 1970, quando essas ações ganharam força devido à crise do petróleo, tecnologias de eficiência energética teriam evitado o consumo de 32 bilhões de barris.

Com a evolução dessas tecnologias, em 2010 a eficiência energética teria evitado o consumo de 63 exajoules (EJ), enquanto o petróleo forneceu 43 EJ, e o gás natural e eletricidade, cerca de 22 EJ cada.

O Japão aparece como o líder mundial em eficiência. Os consumidores japoneses economizam anualmente mais de US$ 3 bilhões graças à iluminação, veículos e equipamentos especialmente projetados para funcionarem com o mínimo de energia.

Nos Estados Unidos, as geradoras e distribuidoras vêm aumentando seus programas de relacionamento e conscientização dos consumidores; em 2000 foram US$ 1 bilhão investidos, valor que saltou para US$ 7 bilhões em 2011.

“O mais limpo megawatt-hora será sempre aquele que nunca utilizamos, e o mais seguro barril de petróleo aquele que nunca queimamos”, destacou van der Hoeven.

A AIE afirmou estar agora trabalhando para ajudar os países a entenderem os benefícios de medidas de eficiência energética. O relatório aponta que existem ganhos em termos de criação de postos de trabalho, de diminuição dos preços nas contas, na competitividade empresarial e até na saúde pública.

“Oportunidades em eficiência formam uma constelação interligada – há ganhos para serem conseguidos em transportes, indústria, construção civil etc. Estamos apenas começando a compreender o quanto podemos lucrar com mais inteligência no uso da energia”, concluiu a diretora executiva da AIE.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Edukatu: rede de consumo consciente incentiva debate em sala de aula


Desenvolvida pelo Instituto Akatu, a iniciativa promove a troca de experiências, ampliando o debate sobre consumo consciente e sustentabilidade entre alunos e professores do Ensino Fundamental


*Colaborou Jéssica Miwa

Você sabe o que significa consumo consciente? Em poucas palavras, para você se tornar um bom consumidor é preciso ter conhecimento da procedência do produto que você compra. Ou seja, algumas questões - como ‘Foi utilizada mão-de-obra escrava ou infantil?’, ‘Para chegar até mim, o produto precisou atravessar o mundo?’ ou ‘Preciso realmente disso?’, - só para citar alguns exemplos - devem ser levadas em conta e analisadas com bastante cuidado. 

A gente sabe que tornar-se um consumidor consciente não é tããããão fácil assim. Para ajudar você, seus colegas e professores nessa supermissão, o Instituto Akatu – que já faz um lindo trabalho para conscientização da sociedade sobre consumo consciente - lançou a rede Edukatu: por meio de um site, você troca conhecimentos e práticas sobre sustentabilidade e aprende mais.

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O objetivo do projeto é mobilizar as salas de aula do Ensino Fundamental em prol da educação com base em uma consciência maior sobre consumo. Para tanto, sua plataforma, disponível na internet, é dividida em três partes:

1. Na Mochila, que oferece conteúdo diverso sobre tecnologias na educação, vídeos superanimados que explicam de onde vem e para onde vão materiais que consumimos e um fórum colaborativo de perguntas e respostas;

2. Circuito, espaço de interação entre alunos e professores. Aqui, a navegação é guiada e faz uso de games e atividades lúdicas; e

3. Rede, que é como um “Facebook” do consumo consciente, no qual alunos e professores de escolas do Brasil inteiro trocam experiências, com mediação do próprio Akatu – que tira dúvidas e dá dicas aos participantes. E, assim, vai sendo criada uma comunidade sustentável, não é bacana?

O objetivo dos organizadores do Edukatu é ampliar o debate sobre o tema de forma colaborativa, já que ele vem ganhando cada vez mais importância nas salas de aula, nas ruas, no trabalho, em casa... Com os professores, os amigos, os colegas.

Ficou curioso? Acesse o site e sugira o uso desta nova ferramenta na sua escola. 

sábado, 12 de outubro de 2013

Presente gratuito, educativo e consciente para o Dia das Crianças



A Fundação SOS Mata Atlântica oferece uma opção gratuita e educativa de diversão para este Dia das Crianças. Para sensibilizar as pessoas sobre a importância do meio ambiente de forma leve, a ONG desenvolveu o aplicativo SOS Mata Atlântica – O Jogo. Totalmente em 3D e disponível gratuitamente para IOS, Android e Facebook, o jogo social foi produzido em parceria com a produtora de games brasileira OvniStudios.

No jogo, o usuário desempenha atividades que variam entre reflorestamento, combate à caça predatória, coleta seletiva do lixo, controle da qualidade do ar, água e do solo, além de atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas de forma a impactar menos o ambiente. À medida que o jogador avança no game, ele adquire bonificação em consciência ambiental. Quanto maior a consciência ambiental, maior é a variedade liberada de árvores nativas da Mata Atlântica e itens de decoração para customizar a sua sede.

Nesse mês de outubro, em comemoração ao Dia das Crianças, aqueles que começarem a jogar vão ganhar automaticamente um número maior de moedas verdes, que é a bonificação especial do game e facilita a aquisição de alguns itens-prêmio. A ideia é presentear principalmente as crianças. Uma opção para a garotada é baixar o aplicativo nos tablets e smartphones que eles usam, já que muitos ainda não têm acesso ao Facebook.

Um dos principais diferenciais do jogo é ser híbrido e multiplataforma, disponível para iPhone, iPad, iPod-Touch, Android e também Facebook, com diversas atividades sociais, como um ranking global. Entre amigos, há a possibilidade de convidá-los e desafiá-los para missões, além de compartilhar atividades e conquistas de diversas formas diferentes.

Diferentemente de outros jogos do gênero, SOS Mata Atlântica – O Jogo é totalmente em 3D, com gráficos extremamente leves, que rodam com bom desempenho em praticamente todos os smartphones, tablets e computadores presentes no mercado.

Novos conteúdos e missões serão liberados gradualmente. Brindes e recompensas também serão distribuídos a pessoas que comparecerem presencialmente a eventos e atividades realizadas pela Fundação SOS Mata Atlântica.

Trailer do game: http://youtu.be/4_twKU03zi8
Abra o jogo na página do Facebook: https://apps.facebook.com/sosmataatlantica/

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica


Criada em 1986, a Fundação SOS Mata Atlântica é uma organização privada sem fins lucrativos, que tem como missão promover a conservação da diversidade biológica e cultural do bioma Mata Atlântica e ecossistemas sob sua influência. Assim, estimula ações para o desenvolvimento sustentável, promove a educação e o conhecimento sobre a Mata Atlântica, mobiliza, capacita e incentiva o exercício da cidadania socioambiental. A Fundação desenvolve projetos de conservação ambiental, produção de dados, mapeamento e monitoramento da cobertura florestal do bioma, campanhas, estratégias de ação na área de políticas públicas, programas de educação ambiental e restauração florestal, voluntariado, desenvolvimento sustentável, proteção e manejo de ecossistemas.

Cinco lições de sustentabilidade para ensinar às crianças

Fonte: EcoD

Sempre é tempo de aprender. Por isso, contribua desde cedo na formação das crianças. Investir em boas lições sobre meio ambiente fazem toda a diferença para formar adultos conscientes.

Pensando nisso, listamos cinco dicas bem bacanas para transmitir aos pequenos.

Desligue os aparelhos que não estão em uso


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É comum ver crianças deixando jogos eletrônicos ligados e sem uso. Alerte-as!
Foto: jDevaun

Infelizmente, ainda é muito comum adultos e crianças deixarem lâmpadas, ventiladores, ar-condicionados, TVs e computadores ligados, mas sem ninguém usar. O impacto é tanto no aumento do valor da conta de energia, mas também no desperdício deste recurso precioso. Por isso é melhor ensinar, desde cedo, as crianças sobre o consumo de energia.

Feche bem as torneiras


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Ensine as crianças a não desperdiçar águaFoto: LadyDragonflyCC
É natural que as crianças gostem de brincar com água e não saibam a dimensão dos problemas do desperdício deste recurso. Por isso é papel dos pais e responsáveis, mostrar a elas o valor que a água tem em nossa vida e como fechar as torneiras completamente. Busque maneiras lúdicas de ensinar, por assim elas guardam para o resto da vida. 

A organização não governamental WWF-Brasil revelou que é grande o desperdício de água entre os brasileiros: mais de 80% da população consultada em 26 estados reconheceram que vão ter problemas de abastecimento de água no futuro e, desses, 68% reconheceram que o desperdício de água é a principal causa desse problema.

Retire os dispositivos das tomadas quando não estiverem sendo utilizados


carregador.jpg
Retire os carregadores da tomada
Foto: George Redgrave

Não é estranho ver crianças e até adultos deixando o carregador de celular e de pilhas ligados na tomada mesmo sem estar em uso. Muitos deles não entendem a real importância de não realizar essa prática.

Na verdade, sempre que um carregador está na tomada, independentemente do dispositivo estar sendo usado ou não, ele consome energia. O ideal é que as crianças aprendam essa realidade desde pequenas.

Incentive a reutilização de materiais e resíduos


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Habitue a criança ao ato de reciclar
Foto: lievensoete

Um passo mais largo para se conquistar um estilo de vida mais sustentável é a reciclagem de materiais. Incentive a molecada a reaproveitar sacos plásticos, papéis e brinquedos. A prática auxilia na educação dos pequenos e estimula a criatividade. Além de poupar o meio ambiente, o jovem vai aprender a consumir produtos com mais consciência.

Cultive hábitos de leitura sobre o meio ambiente


leitura.jpg
Incentive ao conhecimento sobre o meio ambiente
Foto: Librarian In Black

Incentivar a criança à leitura é, comprovadamente, muito importante para o seu desenvolvimento social e intelectual. Mas que tal apresentá-las a obras sobre o meio ambiente?

Alerte sobre a realidade do mundo em que vivemos, ensinando sobre a riqueza do meio ambiente e como elas podem participar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Relatório CDP Brasil indica as 10 empresas mais engajadas na preservação do meio ambiente


Por Henrique Almeida

De acordo com organização Carbon Disclosure Project, as corporações nacionais investiram R$ 6 bi em ações benéficas à natureza e evitaram a emissão de 12 bilhões de toneladas CO2


Na última quarta-feira, 9, durante evento realizado pelo CDP (Carbon Disclosure Project), organização internacional sem fins lucrativos, foi apresentado o relatório referente ao ano de 2013, expondo uma lista com as 10 empresas mais engajadas na preservação do meio ambiente, encabeçada pela petroquímica Braskem.

De acordo com o estudo, as instituições investiram mais de R$ 6 bilhões em iniciativas para diminuir os índices de disseminação de poluentes, evitando que 12 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) fossem emitidas por ano. Porém, à medida que 78% das entidades garantem possuir algum programa de redução na dispersão de toxinas, 76% registraram aumento no volume de substâncias nocivas lançadas na atmosfera.

Após analisar as informações, dispostas pelas corporações nos questionários enviados pelo CDP, sobre questões de transparência de dados em relação às emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e desempenho de ações para evitar as mudanças climáticas, o documento atribuiu notas de 0 a 100 às empresas participantes do projeto e, posteriormente, avaliações de A até E, sendo a primeira máxima e a segunda mínima, ao país examinado.

Nesta edição do CDP Brasil, foram enviados formulários para 100 entidades, porém, apenas 56 delas, de 10 setores diferentes, reportam suas informações à organização, sendo cinco multinacionais, ou seja, tiveram dados retirados de suas sedes estrangeiras. Deste modo, somente 51 instituições nacionais reportaram de fato.

As grandes organizações devem diminuir ainda mais os índices de disseminação de poluentes, pois, ainda não fizeram o suficiente”, Sue Howells, co-diretora de Operações Globais do CDP.”
Sob a liderança da Braskem, com 99 pontos, na mesma lista, o balanço contemplou os empreendimentos: BM&F Bovespa, CEMIG (Companhia Energética Minas Gerais), CPFL Energia, EDP (Energias do Brasil), a produtora de papel e celulose Fibria, Itaúsa (setor financeiro), Marfrig (indústria alimentícia) e Petrobras. A Vale, do ramo de mineração, obteve a segunda melhor colocação ao atingir 98 pontos.

A cerimônia contou com palestras de personalidades envolvidas com o relatório e ações em prol da sustentabilidade. A diretora do CDP na América do Sul, Juliana Lopes, explicou que “o Carbon Disclosure Project trabalha com as principais forças do mercado e, através da divulgação do relatório, propõe a reinvenção do modelo de negócios no cenário mundial”.

Sustentabilidade nas empresas


O professor Celso Lemme, da área de Finanças e Controle Gerencial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sugeriu a integração entre os setores financeiros e de sustentabilidade, pois “não basta evoluir tecnologicamente e ganhar terreno, é preciso tocar o coração do povo sobre o dever de conservar a natureza”.

Para o diretor de sustentabilidade do Banco Santander, Carlos Nomoto, “chegará o dia no qual as empresas tomarão decisões primando o benefício do meio ambiente, mas, infelizmente, ainda não é hoje”. A afirmação é motivada pela constatação de que apenas 50% das corporações percebem que as instabilidades nas condições do clima podem gerar diferentes tipos de risco aos seus negócios e 55% delas possui metas de redução de emissões de GEE.

De acordo com Luísa Guimarães Krettli, representante da WayCarbon, consultoria ambiental que contribuiu para a formulação do relatório CDP, 62% das instituições já estão agindo no gerenciamento das ameaças impostas pelo aquecimento global, atentando para o fato de que apenas três companhias de distribuição reportaram seus dados, atingindo a soma de 49% das dispersões de CO2 do País.

“As grandes organizações devem diminuir ainda mais os índices de disseminação de poluentes, pois, ainda não fizeram o suficiente”, afirmou Sue Howells, co-diretora de Operações Globais do CDP. Afinal, numa avaliação geral, o Brasil recebeu D, nota inferior a que nações como África do Sul e Coreia do Sul receberam.